
Luiz Carlos Menezes*
A decisão do governo do Estado pela implantação do aquaviário significa um passo promissor a favor da mobilidade. A hidrovia, opção de transporte público segura - até contra assaltos -, não exige semáforos nem grande manutenção.
A auspiciosa iniciativa, todavia, precisa ser somada a outras visando à melhoria da mobilidade. Vitória está muito defasada no uso do sistema viário. Precisamos de um projeto MULV (Melhor Utilização do Leito Viário) e de soluções voltadas para a cidade inteligente, conectada, menos poluente, mais humana.
O uso do carro - mais de 1 tonelada de aço com uma só pessoa - precisa ser desestimulado. Cidades europeias, como Madri, tornaram o carro desvantajoso para pequenas distâncias. Calçadas mais largas e pistas mais estreitas nas vias centrais, boa malha cicloviária e muitas ruas de pedestres tornaram mais vantajosa a caminhada, a bicicleta e o patinete. Precisamos seguir este exemplo. Por outro lado, é preciso dotar de mais fluidez o tráfego nas vias arteriais - só possível com a eliminação dos semáforos de três tempos e a implantação do binário.
E Terceira Ponte? A sugerida 5ª faixa exigiria alto investimento no trecho de pistas separadas. A Ponte Rio-Niterói adicionou duas faixas sem alargamento (há dez anos). A nossa ponte é urbana, mas tem largura de autoestrada; permite também duas faixas adicionais sem alargamento. Esclarecendo: 1. Com 17,50m livres de largura, a ponte comporta quatro faixas de 2,80m e duas de 3,05m para ônibus; 2. Cada pista oferecerá condições de tráfego bem similares ao prosseguimento da ponte na Av. Luciano das Neves, em Vila Velha (com três faixas); 3. A Av. Rio Branco, na Praia do Canto, e a Av. Paulista (SP) têm faixas de 2,80m, e o Corredor Norte/Sul (SP), principal acesso ao Aeroporto de Congonhas, só 2,65m; 4. Com a remoção da divisão central, poderá ser adotada a opção 4/2 faixas no sentido de maior fluxo de tráfego (como a Golden Gate, EUA). Bastariam pequenas obras de adequação, pintura de novas faixas, taxas refletivas e mais radares para maior controle de velocidade. Pesquisas demonstram que faixas mais estreitas em vias que receberam faixa adicional tiveram melhoria do fluxo e menos acidentes.
A exemplo da experiência com o pedágio unidirecional - que tanto defendi -, sugiro 90 dias com as três faixas num pequeno trecho da ponte; com assessoria técnica da CET-SP, empresa da prefeitura daquele Estado que é referência em melhor utilização do leito viário. Soluções técnicas existem. Contudo, para avançarmos, vontade política é essencial.
*O autor é engenheiro civil, empresário, conselheiro da Ademi-ES e do PDU de Vitória