Giselle Coelho*
O Brasil tem vivido um período conturbado e sensível. Muito se questiona sobre esse enredo político com o pacote anticrime do ministro Sérgio Moro, o texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Previdência e a escassez de recursos hídricos, entre tantos outros problemas. São muitos os temores e especulações, inclusive, o cenário tem sido alvo de análises estrangeiras não muito animadoras.
A população, por sua vez, clama por respostas e, para além de palavras, por ações. Todo esse contexto nos coloca de frente para uma prática que deve ser a base de um governo: sua gestão. É a partir dessa ferramenta que se constitui todo o planejamento e execução de ações dentro de municípios e Estados.
Desse modo, se o povo se pronuncia é evidente que ele está criticando a conduta de seus gestores e a forma como comandam a economia, a política, entre tantos outros pontos cruciais para a manutenção de uma estrutura social. No cerne dessa movimentação logo se encontra a raiz: a má gestão pública que ainda vivemos em nosso Brasil.
Por outro lado, existe uma preocupação pela melhoria da qualidade dos serviços públicos, afinal, nosso contexto social exige mudanças cada vez mais rápidas e intensas. Uma mostra dessa apreensão foi a inclusão do princípio da eficiência na Constituição, por meio da Emenda Constitucional nº 19, de 4 de junho de 1998. Nela, são dispostos os princípios e as normas referentes a administração pública, servidores e agentes políticos, assim como controle de despesas e finanças públicas, por exemplo.
Essa modificação é fundamental para a melhoria contínua da gestão governamental e, consequentemente, de sua evolução para o patamar de uma real eficiência. Isso pressupõe a ideia de qualidade, presteza e resultados positivos, de modo que sempre sejam atendidas as demandas do coletivo.
O princípio da eficiência pressupõe o melhor aproveitamento possível dos recursos financeiros, um maior controle de todo o processo administrativo. Em poucas palavras, trata-se de manter um nível alto de organização de recursos tanto materiais quanto humanos. Em suma, é transformar a administração burocrática, famosa em nosso histórico, em uma de cunho gerencial.
No que isso implica além do que já foi pontuado? Estamos falando de métodos mais avançados de gestão, menores custos, mais qualidade e agilidade na prestação dos serviços. Num modo mais amplo, é investir em tecnologias, em condições adequadas de trabalho, em mudanças de cunho cultural dentro da instituição. Mas não nos esqueçamos de outro ponto extremamente importante nesse processo evolutivo: o aperfeiçoamento de gestores e agentes públicos. Também é preciso empregar esforços no sentido de capacitá-los nessa filosofia de gestão, a fim de que sejam ainda mais eficientes, defensores da ideia e agentes empenhados nessa causa.
*A autora é consultora de Relações Governamentais