Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Artigos
  • Evangélicos serão maioria no Brasil. Nossa democracia estará preparada?
Kenner Terra

Artigo de Opinião

Religião e política

Evangélicos serão maioria no Brasil. Nossa democracia estará preparada?

Mesmo considerando a multiplicidade de denominações, a política nacional será ainda mais influenciada por agendas religiosas e, com certo grau de certeza, conservadoras
Kenner Terra

Publicado em 29 de Março de 2020 às 14:00

Publicado em 

29 mar 2020 às 14:00
Religião e política no Brasil
Religião e política no Brasil Crédito: Divulgação
Pesquisa do Instituto Datafolha publicada em janeiro aponta que 50% dos brasileiros são católicos e 31% se identificam como evangélicos. Se levarmos em consideração que na década de 1980 os católicos eram 90%, estamos testemunhando indiscutivelmente uma mudança da religiosidade em nosso país: o Brasil será evangélico nos próximos anos.
Para termos ideia, em 2010 o IBGE mostrou que esse grupo religioso contabilizava 22% da população, marca já superada de longe. No Norte, Centro-Oeste e Sudeste os números superam as indicações nacionais: 39%, 33% e 32%, respectivamente.
Interessante são os outros dados em torno desses números. Entre os evangélicos, 51% são mulheres, sendo que nas igrejas neopentecostais o número é ainda maior: 69% dos fiéis. Ou seja, o mundo evangélico, especialmente o neopentecostal, é feminino.
Por outro lado, mesmo sendo a maioria, até hoje a consagração pastoral feminina entre batistas, presbiterianos e assembleianos ainda é motivo de muitas discussões. Elas vencem em termos numéricos, mas a minoria masculina ainda detém a liderança pastoral.
Outro detalhe importante da pesquisa é a média salarial dos membros nas igrejas evangélicas: 48% ganham menos de dois salários mínimos, ao passo que somente 2% recebem mais do que dez salários por mês. Então, a maioria dos evangélicos não se enquadraria no modelo de sucesso apregoado por algumas denominações vinculadas à teologia da prosperidade.
Além disso, o Datafolha mostrou que os evangélicos são majoritariamente negros, representando 59% dos membros das igrejas. Em suma, o rosto evangélico brasileiro é feminino, negro e pobre. E, caso a crescente continue, essa será a face dos religiosos brasileiros.
Por isso, é necessário observar desde já as prováveis consequências sociais e políticas dessa mudança na religiosidade brasileira. Mesmo considerando a multiplicidade de denominações, crenças e práticas, parece ser possível identificar alguns traços comuns entre os evangélicos, permitindo-nos afirmar que a política nacional será ainda mais influenciada por agendas religiosas e, com certo grau de certeza, conservadoras.
Em 2018, por exemplo, 69% deles votaram em Bolsonaro no segundo turno. Isso significaria dizer que o Brasil pode, por conta dessa avalanche, aumentar a força do discurso de extrema direita. A Frente Parlamentar Evangélica, tão problemática e reacionária, tocará o mote da política parlamentar, o que provavelmente representará uma série de retrocessos.
Sob aplausos ou vaias, os evangélicos serão a maioria no país. Estará a nossa democracia preparada para essa realidade?
*O autor é pastor, professor, doutor em Ciências das Religiões e coordenador do Fórum Evangelho e Justiça
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados