Por um momento, o mundo parou para escutar a notícia: “Estamos vivendo uma pandemia.” Iniciada a quarentena, famílias preocupadas correram desesperadas aos supermercados, como se comida e outros itens básicos fossem acabar. A orientação a todos é que ficassem em casa, garantindo assim a saúde e o bem-estar da sociedade.
Da noite para o dia, as escolas perderam sua vitalidade e emudeceram. Os profissionais da educação foram retirados dos seus postos de trabalho. As instituições de ensino, principalmente da educação infantil, receberam um convite sem a possibilidade de recusa para se adaptarem, a pensarem e validarem toda a prática pedagógica que envolva o fazer direto, “mão na massa”, numa perspectiva que acolha e dê sentido às minúcias de um aprender fazendo.
Foi necessário aderirmos a plataformas virtuais como ferramenta única para interagir com os alunos, alimentar o vínculo afetivo e, ainda, possibilitar à criança a apropriação do conhecimento. Nesse cenário dramático e avassalador, fica imprevisível mensurar prejuízos nos âmbitos afetivo, emocional e financeiro.
A sensação é de estarmos diante de um tsunami e temos somente duas possibilidades: ou se aprende a surfar ou será carregado pelas ondas. Um dia de cada vez, é preciso aprender a surfar.
O momento pede cautela. Com isso, iniciou-se uma reflexão profunda a respeito da concepção de infância. Foi preciso desenvolver ações pedagógicas pautadas em experiências e vivências significativas para o aluno. São ações potentes que envolvem o brincar, o cuidar, a observação contextualizada aos saberes cognitivos e a leitura de mundo da criança.
Nesse contexto, diariamente a escola adentra aos lares, buscando uma aproximação por meio do “fio invisível”, a fim de manter vivo o vínculo com seus alunos.
Agora, é hora de “dar presença” na ausência, priorizando uma continuidade pedagógica responsável para que se mantenha o equilíbrio e o bem-estar das crianças e das famílias. Como disse Hannah Arendt, filosofa alemã: “Toda dor pode ser suportada se sobre ela puder ser contada uma história”.
Que esse recolhimento social permita que nossas crianças contem boas histórias, e que esse período seja cheio de aprendizados.
*A autora é diretora Pedagógica do Centro Educacional Viver