Há poucos dias, o MEC divulgou o resultado do Ideb, índice nacional que mensura a qualidade da educação básica brasileira. O ensino médio do Espírito Santo ficou em 1º lugar geral, e suas escolas estaduais, especificamente, conquistaram a 2ª melhor nota do país, com uma diferença de apenas 0,1 décimo em relação a Goiás. Esse resultado é consequência de um ciclo de políticas públicas de educação iniciado ainda no primeiro governo Renato Casagrande, em 2011. Todavia, há diferenças entre o resultado de 2019 e o da penúltima edição do Ideb, em 2017.
Em nossa gestão, a rede pública estadual registrou os melhores resultados em português e matemática do país, em patamares que o Brasil não havia obtido em toda a série histórica do Ideb, iniciada em 2007. O resultado também ficou mais bem distribuído no território capixaba, ao invés de se concentrar em algumas regiões ou escolas. Nesse aspecto, estamos à frente de todos os Estados brasileiros, com mais de 90% dos nossos municípios com escolas com desempenhos mais altos na estratificação feita pelo próprio MEC.
Em resumo, o Espírito Santo pode ser considerado, hoje, o Estado com a melhor aprendizagem do país no ensino médio público, e a rede pública mais igualitária do Brasil nessa etapa. Qualidade para poucos pode transformar a educação em política de exclusão. Por outro lado, quando priorizamos uma agenda educacional voltada ao conjunto das escolas e das regiões, então a qualidade perseguida não vem desacompanhada da equidade – valor sem o qual políticas públicas não têm como promover justiça e igualdade social.
De todo modo, não nos enganemos quanto aos resultados positivos. Eles são avanços importantes e merecem, sim, ser comemorados. Mas a educação pública ainda tem enormes desafios, e o maior risco que podemos correr, no Espírito Santo, é pensar que os bons resultados estão garantidos definitivamente e que já conseguimos resolver os problemas da educação.
Pelo contrário, além dos desafios históricos já conhecidos, temos agora mais uma ameaça: a pandemia da Covid-19, que deve prejudicar a aprendizagem e aumentar a evasão. Mas ter vivido um ciclo virtuoso de quase uma década no período de normalidade anterior à pandemia nos conferirá condições para enfrentar esse cenário adverso de uma forma mais estruturada e assertiva.
*O autor é secretário de Estado da Educação do Espírito Santo