Sou nativa da Barra do Jucu, uma vila de pescadores em Vila Velha movida pelo entusiasmo em nome do bem, um sentimento altamente contagiante que faz parte do ar que respiramos. Só agora enxergo que sempre fomos visionários. Desde o século passado, pessoas de mundos completamente diferentes se unem com o propósito de fazer do nosso bairro um lugar melhor para se viver.
Décadas antes da virada do século, surfistas, hippies, pescadores, pedreiros, gays, lésbicas, cozinheiras, médicos, cientistas, estudantes universitários, garçons, seguranças, intelectuais, filósofos, jornalistas, artistas plásticos, grafiteiros, congueiros, cineastas, atores de teatro, artesãos, mestres da nossa cultura popular, crianças, adolescentes, jovens, idosos, defensores da política de extrema direita e da esquerda militante, católicos, evangélicos, espíritas, militares, esquecem as diferenças e se unem, ficam lado a lado, juntos e felizes, com o propósito de fazer do bairro em que moramos um lugar melhor para se viver.
Várias dessas pessoas, de universos completamente diferentes, se conheceram assim, trabalhando juntos, e até hoje são amigos e continuam se unindo, transformando ideias em realidade, porque a felicidade é a principal consequência do trabalho voluntário para fazer o bem, protagonistas na construção de um futuro melhor para o lugar onde moramos.
Pessoas de mundos completamente diferentes trabalhando juntos para o BEM. É demais!!! Isso cria um ambiente onde ninguém julga ninguém: todos focam no objetivo. As discussões são para defender formas diferentes de tornar realidade os nossos sonhos, conversas construtivas, viscerais, para fazer do nosso bairro um lugar melhor a cada dia.
Já nasci entusiasmada. Nativa da Barra do Jucu, minha terra amada, há quase 40 anos sou voluntária, movida pelo amor, sugerindo ideias, criando projetos, ajudando a montar equipes de trabalho e fazer algumas coisas que são apenas pensamentos se tornarem realidade para fazer do nosso bairro um lugar melhor para se viver.
Sempre com um sorriso no rosto, nunca com a intenção de ganhar dinheiro, sempre pensando em aumentar a renda das pessoas mais simples, em valorizar a nossa cultura que é um patrimônio imaterial gigantesco e com a certeza de que isso só seria possível com a construção coletiva, unindo as pessoas com o propósito de criar um mundo melhor para as futuras gerações.
Mas sempre agi de forma quase invisível, no coração o sentimento de que se você faz o bem para aparecer você está com a intenção de fazer o bem para si mesmo e não para as pessoas. Acredito que o ego é o pior inimigo do homem. “A mão direita não precisa saber o que a mão esquerda faz”.
Sem a união de pessoas de mundos diferentes, as ideias da jornalista Fabiana Rauta Pizzani não seriam nada além de ideias. A fórmula mágica é a união das pessoas para a construção coletiva, seres humanos com pensamentos completamente diferentes que se unem, sem julgamentos, sempre com o propósito de tornar a Barra do Jucu um lugar melhor para se viver e para quem vem aqui para passear.
Décadas, juntos em nome do bem para fazer do nosso bairro um lugar legal para os nossos tataranetos. No século passado, tenta imaginar: um cara todo tatuado ao lado de um militar, um comunista ao lado de um senhor da extrema direita, sentados, lado a lado, rindo juntos, compartilhando conhecimentos, na construção coletiva de projetos em nome do bem, para tornar a nossa Barra do Jucu um lugar melhor para se viver.
Entusiasmo é a energia que alimenta os moradores da Barra do Jucu. Mas hoje enxergo que o livre arbítrio, as diferenças que são naturais entre as pessoas porque cada um de nós é único. Vejo a humanidade caminhando de ré, alimentando pensamentos que venceram a validade há séculos e sinto um cheiro ruim, como a comida quando fica azeda. Enxergo como uma luz brilhando no poste que precisamos enxergar que nossas diferenças são pequenas demais. Brigas, violência, porque um é preto e o outro é branco, porque vão votar em pessoas diferentes, porque existem gays, lésbicas, transexuais, travestis. Gênero: Gente. Olhem pela janela, pensem em coisas boas, deletem do celular as mensagens, vídeos, áudios que não são do bem.
Nas redes sociais, deixe passar batido mensagens negativas, não clique em coisas que não são boas. O que é bom? O certo é certo. Vamos praticar o discernimento! Precisamos olhar pela janela, olhar para quem mora no seu entorno. Não deixem o seu celular transformar a sua essência verdadeira, do que é ser humano. Já vejo isso chegando na Barra do Jucu.
A autora é jornalista