
Gutman Uchôa de Mendonça*
Mais uma vez volta à tona a discussão se é bom ou não que supermercados e mercearias possam funcionar aos domingos. Alguns alegam que deveria haver um rodízio, de lojas e de pessoal, como fazem as farmácias, enquanto outro grupo afirma que a abertura acarreta em prejuízo e, por isso, as lojas deveriam permanecer fechadas.
Diante dessa situação, vem a história do direito à liberdade. Abre quem quer. Porém, no caso dos supermercados, pela minha maneira de ver, a coisa funciona diferente: no domingo, poucas pessoas vão às lojas, uma minoria que chegou de viagem ou esqueceu de comprar algo nos dias de semana. Daí a ideia do rodízio, principalmente nos balneários, onde existe, nos fins de semana, grande concentração de pessoas.
Também usam a favor uma lei que concede aos supermercados o status de “estabelecimentos essenciais”. Portanto, podem funcionar aos domingos, desde que cumpram com a legislação trabalhista.
Deixando prevalecer o princípio de liberdade, não vai funcionar. Vai abrir todo mundo e o risco de prejuízo é grande, especialmente diante do cenário atual da economia.
Vem, então, o corporativismo. Os supermercados, como todo conglomerado econômico, precisam ter lucro, caso contrário, vão falir, o que não é bom para o empreendedor, muito menos para o país e, pior ainda, para a sociedade.
Nessa história toda, de abrir ou não aos domingos, deve-se deixar que o empresariado resolva, pois só ele sabe de suas dificuldades.
Na França, os supermercados funcionam apenas quatro domingos por ano. Quem quer é o empresário. Ano passado, o governo convocou os centros empresariais para uma reunião, para aumentar de quatro para oito domingos de comércio aberto por ano. Os empresários recusaram a ideia, por saber que daria prejuízo. Domingo é dia de se divertir com a família e não de comprar, mas o governo estava vendo apenas o lado do turismo.
Não devemos dar palpites na vida dos supermercadistas para que abram ou fecham suas lojas aos domingos. Um rodízio, escolhendo-se os dias especiais, como em períodos de verão ou festas especiais, seria o melhor negócio.
Nada como um dia de folga (domingo) para arrumar a cabeça e refrescar as ideias.
*O autor é jornalista