A única certeza que temos nestes tempos de tantas incertezas é a de que nada será como antes. A pandemia vai passar, não se sabe ao certo quando, não sabemos ao certo quantas vidas perderemos, os economistas preveem uma das piores recessões da história e cada um de nós não sairá da quarentena da mesma forma que entrou. Tudo muda um pouco.
As crises, por mais difíceis que sejam, trazem também oportunidade de reinvenção. Vejamos: a pandemia provocou a primeira reunião 100% remota da história do Tribunal Regional Eleitoral; na semana passada, o Supremo Tribunal Federal também se preparava para sua primeira sessão online; juízes, membros do Ministério Público e do Tribunal de Contas celebram nas redes um aumento de produtividade em tempos de home office; e a telemedicina foi regulamentada.
São muitos os exemplos. Professores tiveram que se reinventar do dia para a noite para horas e horas de aulas via computador. Deputados estaduais se reuniram pela primeira vez para uma votação on-line. Hábitos de consumo estão sendo revistos.
Experientes CEOs se adaptaram às reuniões virtuais e os aplicativos com essa finalidade passaram a fazer parte do nosso dia a dia não só na reunião de trabalho, mas no novo formato de encontro com amigos e exibição de shows. Tudo mudou. E tudo indica que essas mudanças vão provocar novos comportamentos, talvez uma nova sociedade também.
Mudam também as relações. Não entramos mais no elevador com estranhos. Há o caso real em uma delegacia do Estado de uma mulher que registrou queixa porque alguém espirrou em cima dela numa padaria. As missas passaram a ser exibidas pela internet com fotos dos fiéis nos bancos das igrejas.
Temos a oportunidade de evoluir. Temos a chance da reinvenção. De usar o tempo livre – antes tão sonhado – para definir novas estratégias. De exercermos a solidariedade, de cuidarmos de nós mesmos porque essa também é uma forma de cuidar do próximo.
Grandes marcas estão reinventando suas formas de comunicação. A Coca-Cola suspendeu todo tipo de campanha comercial e lançou o manifesto “Estamos nessa juntos”. Mais de mil empresas aderiram ao movimento “Não demita” – ajudando a evitar um colapso maior econômico e social. A questão não é mais como entramos na crise, mas de que forma sairemos dela. E você, como pretende ser lembrado? É tempo também de refletir sobre isso e, quem sabe, ter a chance de evoluir.
*A autora é jornalista, especialista em gestão de imagem e de crise