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Feminicídio

Morte de chefe da Guarda de Vitória: 'Violência de gênero é sobre quem é o homem', diz delegada

A titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher fez análise do assassinato de Dayse Barbosa Mattos e disse que suspeito não se intimidou, mesmo a ex-companheira sendo uma pessoa conhecida na Capital

Publicado em 23 de Março de 2026 às 14:16

Vinicius Zagoto

Publicado em 

23 mar 2026 às 14:16
A delegada Raffaella Almeida Aguiar, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher, que investiga a morte da comandante da Guarda Municipal Dayse Barbosa Mattos, fez uma análise sobre a violência contra as mulheres, na manhã desta segunda-feira (23). Na avaliação dela, esse caso chama a atenção porque mostra que qualquer mulher pode ser vítima de feminicídio, independentemente da posição em que atua, como no comando da Guarda da Capital.
Para a delegada, a violência de gênero não é sobre quem é a vítima, mas sim sobre quem é o homem, uma vez que o então namorado de Dayse, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, a assassinou mesmo sendo ela uma figura conhecida e em posição de comando na segurança da cidade.
“O caso foi tão emblemático porque mostra muito que não é quem é a vítima, porque ela é uma mulher forte, uma autoridade, mas sim a violência de gênero é sobre quem é o homem. Você vê uma comandante da Guarda Municipal sofrer essa violência mais gravosa, que é o feminicídio. Então diz sobre quem é ele, sobre ela não querer mais aquele relacionamento, sobre ele falar: 'Você é minha, e agora você vai pagar até mesmo com a sua vida, porque, a partir do momento que eu enxergo que você é meu objeto, você é um instrumento da minha dominação'. E ele foi e ceifou a vida dela”, declarou Rafaella Almeida Aguiar, em entrevista à TV Gazeta.
Dayse era reconhecida pela atuação no combate ao feminicídio. Primeira mulher a ocupar o cargo, ela se tornou símbolo de força e dedicação na defesa de mulheres e crianças.
"Dayse, que lutou tanto contra o feminicídio, realizava um trabalho extraordinário. Ela dedicou a vida para proteger mulheres e crianças. Temos lutado muito contra violência doméstica, a Dayse simbolizava isso", destacou o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos).

O crime

Dayse estava dormindo em casa quando seu quarto foi invadido pelo namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, na madrugada desta segunda-feira (23). Segundo testemunhas, ele entrou no imóvel, em Mário Cypreste, com o auxílio de uma escada e arrombou a porta. O pai da vítima, Carlos Roberto Trindade Teixeira, dormia no cômodo ao lado.
"Ele entrou atirando. No primeiro tiro, eu acordei. Ouvi três disparos. Abri a porta devagar, olhei e vi ele correndo com a arma engatilhada”, contou Carlos, em entrevista à TV Gazeta. Após cometer o feminicídio, Diego tirou a própria vida na cozinha da casa.
O secretário municipal da Segurança Urbana de Vitória, Amarilio Boni, detalhou que Diego chegou a pular uma marquise. "Ele foi com o intuito de cometer o feminicídio. Ele levou os materiais para poder entrar na residência, para poder subir na marquise. Tudo indica que ela estava deitada, dormindo, e ele efetuou os disparos sem possibilidade de reação [...] Na condição que estava o quarto, deu a entender que ela só levantou e levou os disparos", disse.
Dayse deixa uma filha de sete anos. Nas redes sociais, ela compartilhava momentos com a menina, mostrando a rotina das duas, como a preparação de lancheiras saudáveis e a presença da filha em atividades do trabalho.
Segundo o pai de Dayse, Carlos Roberto Trindade Teixeira, o relacionamento do casal durava cerca de quatro anos e era marcado por conflitos. Ele afirmou que a filha havia decidido encerrar a relação. “Isso aconteceu porque ela terminou e disse: ‘Você precisa se tratar’. Já aconteceu de eu ter que tirar ele de cima dela, porque ele a estava segurando pelo pescoço”, relatou.

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