O julgamento do diplomata espanhol Jesús Figón Leo entra no segundo dia, com retomada às 10h desta quinta-feira (9). Três testemunhas de defesa foram ouvidas na quarta-feira (8), faltando o debate e a sentença a ser proferida pela Justiça.
O júri começou por volta das 10h da manhã desta quarta-feira (8), no Fórum de Vitória, e durou cerca de 13 horas. A sessão ocorre quase oito anos após a morte a facadas de Rosemary Justilo Lopes, em maio de 2015, no apartamento do casal em Jardim Camburi.
No debate previsto para esta quinta-feira, os promotores de Justiça terão 1h30 para defender a tese de homicídio, argumentando que o diplomata matou a facadas a esposa. Os advogados terão o mesmo tempo para a defesa. Pode haver ainda réplica e a tréplica, para cada parte expor suas versões.
Após o debate, o Conselho de Sentença, composto por sete jurados, se reúne para julgar a culpabilidade. Se decidirem condenar o acusado, a juíza responsável pela análise do caso fará a dosimetria, determinando o tempo de prisão a ser cumprida pelo réu.
Essa pena, no entanto, teria de ser cumprida na Espanha e, como A Gazeta, informou, o país europeu não prevê julgamento virtual como ocorreu e pode não aceitar a condenação do diplomata. Assim, ele continuaria livre de qualquer punição.
Destaques do primeiro dia
No primeiro dia de julgamento, foram ouvidas três testemunhas de defesa, sendo uma vizinha do casal no prédio onde ocorreu a morte, um delegado aposentado que foi até o apartamento no dia do ocorrido e a filha do diplomata ouvida pela internet.
A previsão era a de que cinco pessoas fossem ouvidas. Uma delas não foi localizada e outra não compareceu. A reportagem de A Gazeta entrou em contato com a defesa do acusado, para entender o que houve, e aguarda um posicionamento.
O diplomata não era obrigado a comparecer, mas participou virtualmente e assistiu a todo o júri, sendo sabatinado do início da tarde até as 22h.
O crime
Ex-Conselheiro de Interior da Embaixada da Espanha no Brasil, Jesús Figón Leo é acusado de matar a esposa Rosemary Justino Lopes, de 56 anos, no apartamento do casal, em Jardim Camburi, Vitória.
Ele se apresentou espontaneamente à polícia e contou que matou a mulher após uma discussão durante a madrugada. Eles eram casados há quase trinta anos. Ele trabalhava na Embaixada da Espanha, em Brasília, mas passava alguns dias na residência que tinha com a capixaba em Vitória.
O delegado Adroaldo Lopes, responsável pelo caso na época, explicou que estava em casa quando recebeu a ligação de um delegado aposentado, amigo de Jesús, relatando o homicídio. Esse delegado aposentado recebeu um telefonema de Jesús em que ele contava que tinha matado a mulher.
De imediato, o delegado aposentado fez contato com um advogado e ambos foram até a casa de Jesús verificar o caso. “Chegando ao local, ele adentrou ao imóvel, verificou a presença de um corpo, e me telefonou, dizendo que estava indo para a delegacia”, disse Adroaldo.
À polícia, Jesús alegou que a esposa sofria de depressão e era alcoólatra. “No dia de ontem (ocasião da data do crime) ela teria feito excessiva ingestão de bebida alcoólica e durante a madrugada eles tiveram uma briga. Ela pegou uma faca para atacá-lo, ele tomou a faca e efetuou os golpes”, disse Adroaldo na época.
A defesa tentava um último recurso e manifestava que Figón não havia matado a esposa, alegando que Rosemary Justino Lopes teria tirado a própria vida.