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Julgamento de ex-PM

Síndica relata medo em condomínio de Jardim Camburi após assassinato

Segunda testemunha a depor no Tribunal do Júri de Vitória, Mônica Oliveira afirmou que o réu (um ex-PM) usou tom ríspido ao ser cobrado por barulho no prédio

Publicado em 20 de Maio de 2026 às 14:16

Vilmara Fernandes

Publicado em 

20 mai 2026 às 14:16
À esquerda, o policial militar Lucas Torrezani de Oliveira; à direita, o músico Guilherme Rocha
À esquerda, o policial militar Lucas Torrezani de Oliveira; à direita, o músico Guilherme Rocha Reprodução | Montagem A Gazeta

A segunda testemunha a prestar depoimento no júri do ex-PM Lucas Torrezani foi a síndica do condomínio onde ocorreu o crime, Mônica Oliveira. O local foi palco do assassinato do músico Guilherme José Rocha Soares no dia 17 de abril de 2023, crime do qual o ex-militar é acusado.


Questionada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), ela relatou que as reclamações de barulho no hall do prédio, causadas por Lucas e seus amigos, eram frequentes, e que tinha recebido registros por telefone e também no livro do condomínio.


Em uma das ocasiões, ela conversou com o pai do ex-militar para notificá-lo sobre as ocorrências e que, no mesmo dia, ela foi procurada por Lucas. Relatou que ele estava fardado e que a intimidou.


“Ele me chamou, me intimidando. Perguntou quem era eu, disse que eu não era nada. E que ia continuar a beber, conversar e fumar no local e quem seria eu para impedi-lo. Eu me senti intimidada por ele, estava fardado e com arma. Fiz o meu papel de síndica, expliquei tudo, falei que estava decepcionada, destacando que ele era da lei e que estava agindo daquela forma. E ele saiu resmungando”, contou.


Acrescentou que na ocasião se sentiu constrangida. “Ele usou um tom ríspido. Só não fiquei com medo porque tinham pessoas próximas. Mas não fiz um registro policial a pedido do meu marido, ele me alertou a ‘não mexer com este tipo de pessoa’. Fiquei com medo”, informou a testemunha.

No dia do crime foi Mônica quem acionou o serviço médico de urgência, o Samu/192. Relatou que o médico atendente pediu que fosse ao local onde os fatos ocorreram. “Os amigos estavam saindo e o médico queria saber se o Guilherme ainda estava vivo. Quando questionei ao Lucas, ele me perguntou o que estava fazendo no local. Informei que o Samu precisava de informações, foi quando ele pegou meu celular e falou com a equipe”, contou.


Guilherme, segundo a síndica, era uma pessoa querida no prédio, principalmente pelas crianças. E que após o crime, elas não desciam nem para usar a quadra. “Elas deixaram de brincar na quadra, não eram feitas festas no salão. Foi muito triste, as pessoas se isolaram. A situação só mudou após uns oito meses”.


O próximo a ser ouvido, será o réu, Lucas Torrezani.

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