O Espírito Santo deixou de registrar ao menos de 500 mortes e 200 nascimentos ao longo de 2024. É o que revela o estudo Estimativas de Sub-Registro de Nascimentos e Óbitos, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quarta-feira (20). No país, mais de 50 mil mortes (3,4% do total) não foram registradas em cartórios.
Mortes
Quanto às mortes no Espírito Santo, o Sinoreg-ES diz que a taxa de sub-registro também apresentou queda em relação a 2015. Em 2024, o índice estimado foi de 1,80%, enquanto em 2015 o índice era de 2,90%.
Embora, na avaliação de Fabiana Aurich, a falta de registro de nascimento seja mais problemática, porque dificulta acesso a serviços de saúde, educação e assistência, há uma preocupação de também eliminar os sub-registros de óbitos.
"Há uma exigência normativa que só se encerra com registro. Mas, no interior, ainda há prática de enterrar sem a documentação. Se a pessoa não tem bens, não tem previdência, acaba ficando dessa forma mesmo", comenta a vice-presidente do Sinoreg-ES, acrescentando que o CNJ promove mutirões para regularizar os registros de nascimentos e óbitos.
No país, foram estimados 1.479.877 óbitos notificados e registrados no ano de 2024. O levantamento aponta um sub-registro cartorial de 52.059 óbitos que foram apenas notificados via sistema de saúde. Em uma década, houve redução de 1,49 ponto porcentual na taxa de sub-registro de mortes, que era de 4,89% em 2015.
As unidades da federação com maiores percentuais de sub-registro de óbitos foram Maranhão (24,48%), Amapá (17,47%), Piauí (16,15%), Pará (16,10%) e Roraima (10,91%), ao passo que as menores ocorreram no Rio de Janeiro (0,14%), Distrito Federal (0,17%), Paraná (0,56%) e São Paulo (0,65%).
"O sub-registro de óbitos tende a ser mais acentuado em recém-nascidos (menores de 1 ano) e em idades muito avançadas (80 anos ou mais), faixas etárias nas quais a identificação e o registro podem ser mais complexos, devido a fatores como: óbitos neonatais precoces (primeiras 24 horas de vida), muitas vezes não registrados; óbitos domiciliares de idosos em áreas remotas; fragilidades no fluxo de investigação do óbito infantil; e dificuldades de acesso a cartórios por famílias em situação de vulnerabilidade", observa o IBGE.
O sub-registro de óbitos foi mais elevado entre os bebês menores de um ano: 10,80%. Na faixa de 1 a 4 anos, a taxa de sub-registro foi de 7,74%.
Com informações de Estadão Conteúdo