Muito emocionada, chorando em vários momentos, Janaina Iara Moraes, esposa do músico Guilherme José Rocha Soares foi a primeira a prestar seu testemunho na manhã desta quarta-feira (20) no Tribunal do Júri de Vitória.
Está sendo julgado o ex-PM Lucas Torrezani, acusado pelo assassinato do músico, crime ocorrido em 17 de abril de 2023, no hall do prédio onde vítima e réu moravam.
Ela relatou aos jurados que presenciou a confusão, viu o momento em que o ex-militar sacou a arma e ouviu o tiro. Tudo foi acompanhado por uma janela da área de serviço que permitia uma visão do hall do prédio. O apartamento do casal era no térreo.
Ouvi o disparo e o vi caído no chão. Chamei por ele e pedi: 'Amor, olha para mim', mas ele não respondeu. Queria socorrê-lo, mas o assassino não permitiu
Janaina Iara Moraes | Esposa do músico
A mulher relatou que que quis socorrer o marido, mas foi impedida por Lucas. “Ele apontou a arma e me impediu. Fiquei com medo diante da arma. Depois, ele fechou a porta e a chutou”. A filha de Janaína, uma adolescente que era enteada do músico, foi quem tirou a mãe do local, falando que o ex-PM poderia matá-las.
Ao responder ao promotor, Janina disse que o casal tinha plano de se casar no segundo semestre daquele ano. Afirmou que agora espera por justiça. "Nada vai trazer o Guilherme de volta, mas espero que o assassino seja condenado. Destruiu a minha família. Hoje todos sofrem”, desabafou.
O casal morava havia pouco mais de três meses no apartamento que tinham reformado. Após o crime, a mulher contou que não conseguiu voltar para o imóvel, que faz tratamento psicológico e usa medicamentos devido a tudo que passou e que a filha dela está traumatizada.
"Ela e o Guilherme eram bem próximos. Hoje ela tem medo de policiais e chegou a entrar em pânico na escola em uma apresentação. Ela me envia mensagens sempre perguntando se vou voltar para casa", relata ao se referir ao medo que a adolescente tem de perder a mãe.
Lucas Torrezani foi trazido ao plenário por equipes da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus). Ele acompanhou o depoimento da mulher com a cabeça baixa na maior parte do tempo.
O júri foi suspenso às 11h45 para o intervalo do almoço.