Caracterizada pelo surgimento de manchas esbranquiçadas na pele, o vitiligo tem origem autoimune e imunomediada, associada à predisposição genética. A condição ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar os melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, o pigmento que dá cor à pele.
Além dos fatores genéticos, eventos emocionais e traumas na pele podem atuar como desencadeadores das lesões em pessoas predispostas.
“O aspecto emocional está presente em diferentes momentos da jornada do paciente. Muitas vezes, as alterações na aparência e o preconceito social podem afetar significativamente a autoestima e a qualidade de vida, tornando o acompanhamento dermatológico e multidisciplinar ainda mais importante”, ressalta o dermatologista João Renato Gontijo, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
As manchas brancas são o principal sinal clínico do vitiligo e, na maioria dos casos, não provocam sintomas físicos relevantes. Em alguns pacientes, pode ocorrer leve coceira no início das lesões. O diagnóstico é realizado por meio da avaliação clínica do dermatologista, podendo ser complementado pela lâmpada de Wood, exame que facilita a identificação das áreas afetadas. Em situações específicas, também pode ser indicada a biópsia da pele para diagnóstico diferencial.
Outra característica que costuma gerar dúvidas é a ausência de sintomas físicos. Na maioria dos casos, a doença não provoca dor, coceira ou desconforto, e seu principal sinal é o surgimento de manchas mais claras ou completamente despigmentadas em diferentes regiões do corpo.
"O aparecimento dessas manchas costuma ser a manifestação mais evidente da doença. Sempre que houver alteração na coloração da pele, a recomendação é buscar avaliação dermatológica para confirmar o diagnóstico e definir a melhor conduta", orienta o dermatologista Juliano Barros, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD).
A evolução do quadro varia de pessoa para pessoa. Em alguns pacientes, as manchas permanecem restritas a determinadas áreas do corpo. Em outros, podem surgir em diferentes regiões ao longo do tempo.
O médico explica que toda mancha branca na pele não é vitiligo. "Outras doenças dermatológicas também podem causar alterações na pigmentação da pele, como nevo acrômico, albinismo, piebaldismo, pitiríase versicolor, pitiríase alba, líquen escleroso e atrófico e hanseníase", diz Juliano Barros.
Tratamentos oferecem controle da doença
Embora ainda não exista cura definitiva, os avanços terapêuticos têm proporcionado resultados cada vez mais satisfatórios. Atualmente, a fototerapia com ultravioleta B é considerada uma das principais opções de tratamento, atuando na modulação da resposta imunológica e estimulando a repigmentação da pele.
Além da fototerapia, o tratamento pode incluir medicamentos tópicos, terapias sistêmicas e imunomoduladores, sempre de forma individualizada, de acordo com as características de cada paciente.
“O diagnóstico precoce e o início oportuno do tratamento aumentam significativamente as chances de controle da doença e de recuperação da pigmentação. Hoje contamos com abordagens terapêuticas capazes de proporcionar excelentes respostas clínicas”, explica Gontijo.
A comunidade médica acompanha com expectativa o desenvolvimento de novas terapias para o vitiligo. Alguns tratamentos inovadores já estão em processo de aprovação regulatória e podem ampliar as opções disponíveis nos próximos anos.
Juliano Barros diz que tratamento busca regular a resposta imunológica envolvida no processo que afeta os melanócitos. "Entre as opções disponíveis estão medicamentos imunomoduladores, agentes antioxidantes, procedimentos cirúrgicos em casos específicos e a fototerapia com luz ultravioleta, que pode estimular a repigmentação da pele e contribuir para resultados bastante positivos", explica.
Cuidados diários
Pessoas com vitiligo devem adotar alguns cuidados para evitar o surgimento de novas lesões. Traumas repetitivos na pele podem favorecer o aparecimento de manchas em áreas previamente saudáveis, fenômeno conhecido como Koebner.
Entre as orientações estão evitar a retirada das cutículas, que pode provocar microlesões, e ter cautela com determinados procedimentos estéticos. A depilação a laser, por exemplo, não costuma ser recomendada para esses pacientes, assim como o uso de clareadores à base de hidroquinona e peelings agressivos, que podem comprometer a integridade da pele e favorecer o agravamento do quadro.