Com que, então, os peixes pequenos caíram na rede, mas os grandes escaparam...
Lembra quando crianças ainda jogavam futebol? Iam todas para onde estava a bola... O leitor já olhou com atenção as imagens do sequestro do morador de rua na Praia do Suá, posteriormente assassinado em Nova Almeida?
Percebeu que cada um dos
participantes cumpriu uma função específica previamente determinada,
colocando-se em um lugar estratégico, vários sem se preocupar com a vítima em
si? Isso exige três coisas: treinamento dos executores, planejamento prévio por
alguém com conhecimento de operações policiais complexas e informações de
inteligência.
Não existe a mínima possibilidade de simples “vigilantes” privados terem tais capacidades ou haverem improvisado aquele ato. Aliás, a cova já estava aberta com antecedência. Sim, as pessoas presas até agora eram apenas integrantes de um grupo de extermínio organizado e hierarquizado, mas não há sinais de relação com outro que a Polícia Civil está tentando desmantelar.
Parece mais o remake da novela que aconteceu no ES até os anos 1990. São tantas as pistas nas matérias publicadas, que acabou ficando fácil até traçar um perfil psicológico da pessoa no topo desse esquadrão da morte.
O leitor dirá que os ignorantes sempre têm muitas certezas, enquanto os sábios carregam dúvidas, mas essa visão tão cega às próprias limitações intelectuais é possível apenas quando o sujeito é muito rico, ocupa altos cargos ou tem diplomas vistosos na parede, tipo um cara que conhecemos, que tem doutorado em Direito Civil, mas se mete a escrever artigos sobre segurança pública.
Não conversei com o delegado que investiga o caso nem ele me diria nada que esteja sob sigilo, mas, se ele ainda não sabe quem comanda esse grupo, está comendo mosca, porque tem acesso a bancos de dados restritos, onde tudo fica registrado, sem sequer necessidade de autorização judicial. Se for esse o caso, recomendo a leitura de um romance policial infantil chamado “O gênio do crime”, de João Carlos Marinho. Qualquer criança esperta sabe seguir alguém ao contrário.
Gostaria de supor que a Polícia Civil começou pelos que estão mais à mão e esteja apenas terminando de colher e organizar as provas contra esse grupo de extermínio completo, analisando os dados disponíveis etc. O cidadão capixaba provavelmente saberá em breve, de uma maneira ou de outra.