No último domingo (17), a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) para o surto de Ebola que atinge a República Democrática do Congo e Uganda. A classificação é utilizada pela OMS em eventos com potencial risco internacional e que exigem coordenação global de resposta.
Diferentemente da maioria dos surtos anteriores, o atual cenário é causado pelo vírus Bundibugyo, uma espécie do vírus Ebola para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos específicos aprovados, o que preocupa especialistas e autoridades de saúde sobre o avanço da transmissão.
Na última década, a espécie Zaire ebolavirus foi alvo de importantes avanços científicos, com desenvolvimento de vacinas e anticorpos específicos. Porém, o atual surto envolve outra espécie viral: o vírus Bundibugyo, identificado pela primeira vez em Uganda, em 2007.
Segundo especialistas, as diferenças genéticas entre as espécies podem reduzir a proteção cruzada dos imunizantes já disponíveis. Atualmente, não existem vacinas nem terapias específicas aprovadas para essa espécie viral.
O diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta segunda-feira (25) que o surto de Ebola na República Democrática do Congo e em Uganda está se alastrando mais rapidamente do que a capacidade de resposta, elevando o número de mortes suspeitas para 220.
Em uma reunião online da União Africana sobre o surto, Ghebreyesus afirmou que a demora na detecção dos casos de ebola significa que os profissionais de saúde estão agora "correndo atrás do prejuízo" e que a epidemia provavelmente piorará antes de melhorar.
O Ebola é uma doença infecciosa grave causada por um vírus de alta letalidade e potencial de disseminação em surtos. Identificada pela primeira vez em 1976, na região do rio Ebola, na atual República Democrática do Congo.
A infectologista Luana Araújo, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica que o vírus age no corpo através do ataque direto principalmente aos vasos sanguíneos, o que leva a hemorragias. "Podem ser percebidas de uma maneira mais discreta inicialmente, mas que podem evoluir para hemorragias maciças, principalmente no sistema gastrointestinal. Também há envolvimento cardíaco, renal, pulmonar, neurológico e hepático".
A doença se manifesta inicialmente como um conjunto de sinais e sintomas inespecífico, como febre, dor de cabeça, dor no corpo, dor de garganta, cansaço intenso. "O problema é que ela progride nos seus casos graves e, a depender do ebola vírus, envolvem vômitos, diarreia, dor abdominal, falta de fome, causando comprometimento de função renal, função hepática", diz Luana Araújo.
A infectologista Ana Carolina D'ettorres, da Unimed Vitória, diz que período de incubação (período em que se está infectado, porém ainda não manifesta sintomas) varia de 2 a 21 dias. "Os primeiros sintomas são inespecíficos, como febre alta, cefaleia intensa, dores musculares e articulares, fraqueza. Com a progressão, surgem náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal e, nos casos mais graves, sangramentos. O quadro pode evoluir rapidamente para falência de múltiplos órgãos".
Há riscos para o Brasil?