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A asma é uma doença respiratória crônica caracterizada pela inflamação das vias aéreas, que provoca estreitamento dos brônquios e dificulta a passagem do ar. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), trata-se de uma das condições respiratórias mais comuns no mundo, podendo se manifestar em diferentes fases da vida e variar de intensidade ao longo do tempo.
A pneumologista Edina Fassarella, da Unimed Sul Capixaba, diz que a doença costuma apresentar períodos de controle intercalados com momentos de piora dos sintomas. Os sintomas mais frequentes da asma incluem falta de ar, chiado no peito, tosse persistente e sensação de aperto no tórax.
Esses sinais podem aparecer de forma leve ou mais intensa, geralmente piorando à noite, durante atividades físicas ou após exposição a fatores irritantes, como poeira, fumaça e mudanças de temperatura, conforme apontam diretrizes da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e da Global Initiative for Asthma, organização internacional referência no tema. A médica explica que muitos pacientes convivem com esses sintomas por um longo período sem diagnóstico, o que pode atrasar o início do tratamento adequado.
“Durante uma crise de asma, os sintomas se intensificam e podem incluir falta de ar súbita, dificuldade para falar frases completas, respiração acelerada, sensação de sufocamento e até coloração arroxeada nos lábios em casos mais graves. Nessas situações há um estreitamento acentuado das vias aéreas, reduzindo a entrada de oxigênio no organismo. A crise é um sinal de descontrole da doença e pode representar risco, principalmente quando não tratada rapidamente", explica a especialista.
Para saber se uma pessoa tem asma, é importante observar a repetição desses sintomas ao longo do tempo, especialmente quando associados a gatilhos como alergias, infecções respiratórias ou esforço físico. O diagnóstico é feito com base na avaliação clínica e no histórico do paciente, podendo ser confirmado por exames de função pulmonar, como a espirometria, recomendada pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Outros exames podem ser solicitados para descartar doenças semelhantes.
Dificulta a realização de atividades
A pneumologista Flavia Filardo Vianna, do Iamspe, explica que a doença se apresenta em crises, ou seja, os sintomas surgem e são controlados após o início do tratamento. "No caso dos pacientes com quadro mais leve, a adesão é uma dificuldade importante. Eles deixam de tomar o medicamento e de realizar o acompanhamento médico assim que os sintomas melhoram. Isso prejudica o tratamento e a qualidade de vida".
A asma dificulta a realização de atividades simples, como subir escadas ou caminhar distâncias curtas. É comum pacientes se acostumarem com as limitações causadas pela doença, o que atrasa o diagnóstico e o início do tratamento, podendo piorar a intensidade das crises.
“Existem crises de asma em que a contração do brônquio exige a ventilação mecânica, porque o ar não entra, dificultando a oxigenação”, comenta.
O paciente deve procurar por atendimento médico nos primeiros sintomas de crise de asma. A depender do desconforto, a orientação é ir ao pronto-socorro mais próximo. Com a estabilização do quadro, o acompanhamento deve ser feito por um médico pneumologista em ambulatório.
Tratamento da asma
De acordo com Edina Fassarella as causas da asma envolvem uma combinação de fatores genéticos e ambientais. “A exposição a alérgenos, como ácaros, mofo e pelos de animais, além de poluição, fumaça e infecções virais, está entre os principais desencadeantes das crises. Identificar esses gatilhos é parte fundamental do controle da doença, já que evita a recorrência dos sintomas".
Ela ressalta que o tratamento da asma é baseado no uso de medicamentos, principalmente broncodilatadores e corticoides inalatórios. “Esses medicamentos ajudam a controlar a inflamação e melhorar a respiração. Além disso, mudanças no estilo de vida e o acompanhamento médico regular são essenciais para manter a doença controlada. Quando bem conduzido, o tratamento permite que o paciente tenha uma rotina normal”.
Apesar de não ter cura, a asma pode ser controlada de forma eficaz. A médica alerta que com diagnóstico precoce, uso correto das medicações e acompanhamento contínuo, é possível reduzir as crises e melhorar a qualidade de vida. "Qualquer sinal de dificuldade respiratória recorrente deve ser investigado, já que o controle adequado da doença faz diferença na segurança e no bem-estar do paciente", finaliza.