shutterstock
A obesidade é considerada uma doença crônica e multifatorial, caracterizada pelo excesso de gordura corporal e associada a diversos impactos na saúde física, metabólica e emocional. O problema afeta milhões de brasileiros e está diretamente relacionado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão, alterações hormonais e diversos tipos de câncer.
Essa condição tem avançado de forma acelerada no Brasil. Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025 apontam que cerca de 31% dos brasileiros vivem com obesidade e aproximadamente 68% da população adulta apresenta excesso de peso.
Segundo a médica nutróloga Mariana Comério, o problema vai muito além da estética. “A obesidade traz sérios prejuízos à saúde do corpo, mas também afeta a saúde emocional, a autoestima e compromete significativamente a qualidade de vida do paciente. Hoje, é um dos principais problemas de saúde pública do mundo”, afirma.
O excesso de gordura corporal pode provocar diferentes sinais e sintomas, principalmente quando não há tratamento adequado. “As manifestações podem ser físicas e emocionais, incluindo falta de ar aos esforços, sudorese excessiva, cansaço frequente, piora do sono, ronco, dificuldade de locomoção em razão do sobrepeso, além de transtornos como ansiedade e até depressão”, explica a médica.
O diagnóstico é feito principalmente por meio do Índice de Massa Corporal (IMC), cálculo que relaciona peso e altura. Pacientes com IMC acima de 30 são considerados obesos. No entanto, outros critérios também podem auxiliar na avaliação, como bioimpedância, circunferência abdominal e até exames de imagem.
A obesidade é dividida em três graus: 1, 2 e 3. Quanto maior o IMC, mais elevado é o grau da obesidade e, consequentemente, os riscos de complicações para a saúde.
Não existe um peso específico que determine se a pessoa é obesa, porque isso depende da altura e de outros fatores
Mariana Comério Médica nutróloga
A médica diz que é importante observar o aumento da gordura abdominal, do próprio peso e das medidas corporais em geral. Ao perceber alterações, o ideal é procurar ajuda médica especializada para iniciar o tratamento adequado e evitar a evolução para quadros mais graves”, orienta a nutróloga.
O tratamento da obesidade envolve diferentes pilares, como mudança no estilo de vida, alimentação equilibrada, prática de atividade física e gerenciamento do estresse.
“Em alguns casos, também é necessário o uso de medicamentos para auxiliar no controle da fome, da resistência insulínica, no combate a processos inflamatórios e na melhora da saúde intestinal, contribuindo para que o organismo volte a funcionar de forma equilibrada e o paciente consiga perder peso com saúde”, explica.
Segundo a médica, o tratamento da obesidade não deve seguir fórmulas prontas. “Cada paciente precisa de uma avaliação individualizada, com acompanhamento especializado e estratégias adequadas à sua realidade e às causas do ganho de peso”, conclui a nutróloga Mariana Comério.
Como calcular o IMC
O IMC (Índice de Massa Corporal) é um cálculo usado para avaliar se o peso está adequado para a altura.
Para calcular, basta dividir o peso pela altura multiplicada por ela mesma.
Exemplo:
Uma pessoa com 80 kg e 1,70 m deve fazer o seguinte cálculo:
80 ÷ (1,70 x 1,70) = 27,6
Classificação do IMC
• Abaixo de 18,5 — baixo peso
• Entre 18,5 e 24,9 — peso adequado
• Entre 25 e 29,9 — sobrepeso
• Acima de 30 — obesidade
Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS).