As regras seguem lógica semelhante nos países, mas variam na agilidade. Nos Estados Unidos, a lei Right to Try permite acesso direto de pacientes terminais a drogas já testadas na fase 1, que avalia segurança, sem aprovação da FDA, a agência regulatória do país. Há menos burocracia, mas também menos vigilância de dados.
No Brasil, a Anvisa regula o tema pela RDC 38/2013. Segundo Alexandre Biasi, superintendente médico de ensino e pesquisa do Hcor, a nova Lei da Pesquisa Clínica, de 2024, simplificou a avaliação ética e regulatória, com efeito já visível nos rankings do setor. O Brasil passou da 20ª posição mundial no ranking de pesquisa clínica, em 2024, para o 12º lugar, em 2026, mas o volume ainda é de apenas 2% dos estudos clínicos mundiais.
Os especialistas lembram que o uso de um tratamento ainda em fase de testes não pode ser visto como salvação ou garantia de qualquer melhora, e todos os detalhes precisam ser comunicados de forma transparente ao paciente.
Nenhum procedimento pode ocorrer antes de o paciente assinar um termo detalhado, aprovado com rigor por um comitê de ética, com exposição de riscos e efeitos colaterais e o direito de desistir a qualquer momento.
A comoção em torno de casos como o de Lito Sousa expõe uma tensão: até que ponto a pressão pública pode influenciar decisões de laboratórios e de institutos de pesquisa?
Para Baldotto, o efeito da divulgação costuma ser positivo, apesar da desinformação e das dúvidas que às vezes acompanham o debate. "É importante que a população saiba mais sobre estudos clínicos, que há muitos centros fazendo pesquisa de excelência no Brasil. Quem sabe assim mais pessoas se candidatam e mais estudos sejam feitos no país", diz a médica.
Biasi reforça o argumento com dados sobre desfechos clínicos. "Os resultados da evolução clínica de pacientes que participam de pesquisa, independentemente se ele recebeu tratamento A, B ou C, em média costumam ser melhores do que os de pacientes que não participam. Da mesma forma, empiricamente vemos que países e instituições que fazem mais pesquisa clínica são mais desenvolvidos."
NÚMEROS DA PESQUISA CLÍNICA NO BRASIL
- 12ª posição mundial em volume de estudos em condução em 2026
- 1º lugar na América Latina, com 42% dos estudos da região
- 2% dos estudos clínicos do mundo
Fonte: Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa)