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Aprovado pela Anvisa

Lemborexante: entenda como funciona o novo remédio para insônia

O remédio será vendido comercialmente no Brasil como Dayvigo pela farmacêutica japonesa Eisai. Ele deve gerar menos dependência e efeitos colaterais

Publicado em 12 de Abril de 2026 às 14:00

Redação de A Gazeta

Publicado em 

12 abr 2026 às 14:00
Mulher com insônia
Estima que duas a cada três pessoas no país têm alguma dificuldade relacionada à hora de dormir Crédito: Shutterstock
Aprovado recentemente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o medicamento lemborexante, vendido sob o nome comercial de Dayvigo pela farmacêutica japonesa Eisai, vai chegar em breve ao Brasil. E será uma nova alternativa para lidar com as noites em claro.
O remédio conta com um mecanismo de ação inédito para combater a insônia e gerar menos quadros de dependência. A medicação foi eleita por pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, como a melhor perfil de eficácia, aceitabilidade e tolerabilidade entre 36 alternativas avaliadas em um estudo publicado na revista científica The Lancet.
A médica especialista em Medicina do Sono, Jessica Polese, conta que o medicamento tem mecanismo de ação diferente dos produtos já oferecidos no país. “Enquanto os outros já usados no Brasil provocam uma ação de sono, o lemborexante bloqueia a engrenagem que mantém a pessoa acordada. Além disso, espera-se que ele gere menos quadros de dependência. Até o momento, o que sabemos é que esse risco é baixo, então é uma classe bem promissora”, aponta a médica.
A aprovação do medicamento é apenas para adultos. “Ao contrário de outras classes, que agem estimulando o sono, o lemborexante bloqueia o que nos mantém acordado. Sendo assim, ele impede a ação do combustível que mantém o interruptor do cérebro na posição ‘acordado’", explica.

Sobre a medicação

De acordo com a farmacêutica japonesa Eisai, fabricante do lemborexante, ainda não há definição sobre a data de lançamento, nem sobre o preço, mas a expectativa é trazê-lo “o mais breve possível”. Uma das etapas pendentes para a chegada ao país é a definição do preço máximo que poderá ser cobrado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Nos Estados Unidos, onde foi aprovado em 2019, a caixa com 30 comprimidos é vendida por, em média, 300 dólares, cerca de R$1.600 na cotação atual.
A dose recomendada é de 5 mg, no máximo uma vez por noite, alguns minutos antes de ir para cama. A pessoa deve ter um intervalo de pelo menos 7 horas antes do horário em que planeja despertar. A dose pode ser aumentada para 10 mg “com base na resposta clínica e tolerabilidade do paciente”, segundo o aval da Anvisa.

Tratamento da insônia

A Associação Brasileira do Sono (ABS) estima que duas a cada três pessoas no país têm alguma dificuldade relacionada à hora de dormir. Dados do Episono, pesquisa realizada na capital paulista pelo Instituto de Sono, revelam uma prevalência de 15% de diagnóstico formal de insônia crônica, quando as queixas ocorrem ao menos três vezes na semana e perduram por pelo menos três meses.
A especialista Jéssica Polese alerta que o tratamento inicial não envolve remédios, mas sim uma orientação para mudanças de hábitos - como prática de atividades físicas, redução de estímulos, como telas e cafeína, ao fim do dia, evitar álcool e tabagismo e ajustes no ambiente do quarto, rotinas conhecidas como higiene do sono.
“Também utilizamos a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I), considerada padrão-ouro pelas diretrizes internacionais. Ela combina técnicas que atuam nos três pilares da insônia: pensamentos disfuncionais, comportamentos inadequados e desregulação fisiológica”, conta.
Mesmo assim, o número de brasileiros que recorrem aos remédios é significante. Segundo um estudo publicado na Revista de Saúde Pública, com base em dados da última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do IBGE, 8,5% da população, o equivalente a cerca de 18 milhões de pessoas, utilizam medicamentos.
“Indicamos o tratamento medicamentoso, geralmente, para pacientes cujo tempo de sono total é inferior a 6 horas, que apresentam prejuízos na funcionalidade cotidiana e que não respondem à terapia convencional. Nestes casos, seguimos a forma de utilização com um princípio claro: a menor dose eficaz, pelo menor tempo necessário, sempre com monitoramento médico. O ideal é que sejam usados de modo pontual ou em períodos curtos, evitando o uso crônico”, conclui a médica.
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