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Entenda

'Chip da beleza': Anvisa revoga proibição do uso dos implantes hormonais

Na nova resolução, mantém-se a proibição da prescrição e uso desses implantes para fins estéticos, ganho de massa muscular e melhora do desempenho esportivo

Publicado em 22 de Novembro de 2024 às 13:15

Redação de A Gazeta

Publicado em 

22 nov 2024 às 13:15
Chip da beleza: implante hormonal
O implante hormonal é permitido que seja usado em casos específicos Crédito: Shutterstock
Na quinta-feira (21), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou uma nova resolução a respeito dos implantes hormonais. No documento, a agência reguladora voltou atrás na decisão tomada anteriormente de proibir, de maneira generalizada, a comercialização, manipulação, propaganda e uso dos implantes hormonais, independentemente da finalidade.
Na nova resolução, mantém-se a proibição da prescrição e uso desses implantes para fins estéticos, ganho de massa muscular e melhora do desempenho esportivo, mas é permitido que sejam usados em casos específicos, por exemplo, em tratamentos ginecológicos e para homens com deficiência de testosterona comprovada.
“A revogação reitera o que nós especialistas sempre defendemos: o uso dos implantes hormonais é de exceção. É para alguns pacientes selecionados que preferem, escolhem ou precisam dessa via de tratamento. É uma opção de tratamento”, diz o ginecologista Igor Padovesi. 
O médico explica que o problema nunca foi os implantes hormonais, mas sim quem os prescreve. “A preocupação das sociedades médicas é em relação ao uso comercial e abuso dos implantes hormonais. Hoje existe, realmente, um uso excessivo e abusivo desses hormônios no Brasil. Farmácias magistrais estão produzindo implantes sem nenhuma regulação e com alto viés comercial, utilizando substância sem evidências para finalidades estéticas”, diz o médico, que ressalta, no entanto, que a suspensão generalizada dos implantes hormonais manipulados não é o caminho adequado para resolver a situação, o que pode, inclusive, prejudicar pacientes que realmente se beneficiam desse tipo de tratamento, quando devidamente indicado.
O médico pontua que um dos principais problemas que motivou a proibição original foi o uso inadequado de outras substâncias na forma de implante com viés muito comercial, como ocitocina, NADH, oxandrolona, que não são adequadas nessa forma. “A utilização clássica dos implantes hormonais é para administração de hormônios como testosterona, estradiol e gestrinona para o tratamento de mulheres na menopausa, homens com deficiência de testosterona e certas doenças ginecológicas. Porém, recentemente, houve uma expansão do uso desses implantes, inclusive para outras finalidades que não o tratamento de doenças, como emagrecimento e ganho de massa muscular. Farmácias de manipulação começaram a produzir todo tipo de medicamento na forma de implantes, sem um embasamento científico”, afirma o médico.
A nova resolução publicada pela Anvisa preserva a autonomia do paciente e do médico que, sabendo de todas as questões que envolvem os implantes hormonais, podem escolher essa via em uma decisão compartilhada. “Esses implantes hormonais de estradiol, gestrinona e testosterona são opções de tratamento para problemas ginecológicos e homens com deficiência de testosterona comprovada”, diz Igor Padovesi.
Igor Padovesi, ginecologista
Igor Padovesi explica quando o implante hormonal deve ser usado Crédito: Divulgação/ Igor Padovesi
"O implante é apenas uma via de administração desses hormônios cujo uso só tem aumentado no mundo todo e existem evidências que comprovam sua eficácia"
Igor Padovesi - Ginecologista
A revogação também reforça, mais uma vez, a necessidade de regulação adequada dos implantes hormonais, com criação de protocolos de tratamento, além da conscientização da população sobre esse tema. “Esse é um assunto complexo que precisa ser discutido de maneira mais ampla, envolvendo também o Conselho Federal de Medicina, uma consulta pública a sociedade, uma análise mais profunda dos dados disponíveis e uma regularização adequada, em vez de uma proibição generalizada com base em opiniões enviesadas de um tratamento eficaz utilizado há décadas em todo o mundo. É preciso também investir em mais pesquisas sobre o assunto. Infelizmente, muitos pesquisadores têm receio de se aprofundarem no assunto para não se indisporem com as sociedades médicas”, pontua o especialista.
Igor Padovesi reforça que os implantes hormonais podem ser usados de forma séria, ética e responsável como uma opção de tratamento nos casos adequados. “Os implantes são apenas uma via de tratamento e o problema está em quem os prescreve. Quando devidamente indicados e acompanhados por um profissional sério, que inclusive deve informar ao paciente sobre as polêmicas e posicionamento das sociedades sobre o tema, os implantes hormonais são capazes de melhorar a qualidade de vida e a saúde de uma série de pacientes”, finaliza.
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