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Alerta

Casos de Sarampo no Brasil: entenda os sintomas, riscos e como se proteger

Os primeiros sintomas, que costumam aparecer em cerca de 10 a 14 dias após a exposição ao vírus, são: febre alta, tosse seca, coriza e conjuntivite

Publicado em 12 de Agosto de 2026 às 16:22

Guilherme Sillva

Publicado em 

12 ago 2026 às 16:22
O sarampo é transmitido pelo ar, principalmente por meio de tosse, espirro, fala  Romolo Tavani/Shutterstock

Os recentes casos confirmados de sarampo no Brasil colocam em foco uma doença que é altamente contagiosa. Apesar de todos os pacientes já terem se recuperado, e não terem sido identificados nenhuma situação de surto no país, os Estados Unidos enfrentam mortes decorrentes do sarampo, o que reforça a necessidade de alertar sobre a principal medida de prevenção.


Causado por um vírus da família Paramyxoviridae, o sarampo é transmitido pelo ar, principalmente por meio de tosse, espirro, fala ou contato próximo com uma pessoa infectada. A doença está entre as infecções mais contagiosas conhecidas e pode se espalhar rapidamente entre pessoas não imunizadas.

De acordo com a infectologista Jessica Fernandes Ramos, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, a prevenção do sarampo é realizada através da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), administrada em duas doses durante a infância.

Os primeiros sintomas, que costumam aparecer em cerca de 10 a 14 dias após a exposição ao vírus, são: febre alta, tosse seca, coriza e conjuntivite. Após alguns dias, surgem as manchas vermelhas características da doença, que começa no rosto e atrás das orelhas, espalhando-se pelo tronco, braços e pernas. "É comum sentir fadiga, perda de apetite e, em alguns casos, diarreia. Em casos mais graves, o sarampo pode levar a complicações sérias, como pneumonia e encefalite, que é uma inflamação cerebral, que podem ser fatais", conta a infectologista.

O infectologista Julio Onita, do Hospital IGESP, diz que os primeiros sintomas costumam aparecer entre sete e 14 dias após a exposição ao vírus e podem ser confundidos com os de outras infecções respiratórias. O quadro geralmente começa com febre acima de 38°C, tosse seca, coriza, conjuntivite e mal-estar.

Antes do surgimento das manchas na pele, também pode aparecer pequena lesão esbranquiçada na parte interna da boca, um dos sinais característicos do sarampo. Entre o terceiro e o quinto dia após o início dos sintomas, surgem manchas avermelhadas na pele, inicialmente no rosto. Em seguida, elas podem se espalhar para o pescoço, tronco, braços e pernas.

“A combinação entre febre alta, sintomas respiratórios e manchas pelo corpo deve servir como sinal de alerta. Diante desse quadro, principalmente em pessoas não vacinadas ou com esquema vacinal incompleto, é fundamental procurar atendimento médico rapidamente e informar sobre viagens recentes ou contato com casos suspeitos ou confirmados”, orienta Julio.
Como se proteger
Os casos mais comuns de sarampo são em crianças de até 5 anos, principalmente as que ainda não completaram o esquema vacinal. "A tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) é administrada em duas doses: a primeira aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Adultos também devem verificar se estão vacinados, caso não tenham certeza sobre sua vacinação, consulte um profissional de saúde para verificar a necessidade da dose", alerta a médica.
No passado, o Brasil já havia eliminado o sarampo. Em 2016, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) declarou que o país estava livre da transmissão do vírus, devido a altas taxas de vacinação e campanhas eficazes. No entanto, em 2018,  perdemos o status de eliminação da doença devido a surtos causados pela queda na cobertura vacinal e pela importação de casos de outros países. 
"O principal motivo de doenças infecciosas como o sarampo voltarem a ser um problema é devido a queda da cobertura vacinal. Muitas pessoas deixam de se vacinar por desinformação, fake news e até dificuldades de acesso. Além disso, em viagens internacionais, o vírus pode ser reintroduzido no Brasil por pessoas não imunizadas. Vale destacar que a vacinação é segura, eficaz e a única forma de evitar novos surtos. Manter a imunização em dia é essencial para proteger a todos", diz Jessica Fernandes Ramos.

Embora muitos pacientes apresentem evolução favorável, o sarampo pode causar complicações como pneumonia e encefalite e, em casos mais graves, levar à morte. Crianças pequenas, gestantes e pessoas imunossuprimidas estão entre os grupos que exigem maior atenção.

 

“O risco de novos casos está diretamente relacionado à circulação de pessoas não vacinadas e à introdução do vírus por viajantes provenientes de regiões com transmissão ativa. Além disso, pacientes imunossuprimidos, como aqueles em tratamento oncológico, reumatológico ou neurológico, podem apresentar uma resposta imunológica reduzida e desenvolver formas mais graves da doença. Por isso, manter a cobertura vacinal em dia é essencial para interromper a circulação do vírus”, diz Julio Onita. 

Como prevenir o sarampo

A vacinação é a principal forma de prevenção contra o sarampo. No Brasil, a imunização está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, e da tetraviral, que também oferece proteção contra a varicela.


O esquema de imunização prevê duas doses, e o Ministério da Saúde estabelece como meta alcançar 95% de cobertura vacinal da população-alvo, índice considerado necessário para reduzir a circulação do vírus e proteger também pessoas que não podem ser vacinadas.


Antes de viagens nacionais ou internacionais, especialmente para regiões com circulação do sarampo, também é importante verificar a situação vacinal. Em caso de dúvidas ou necessidade de atualização da caderneta, a orientação é procurar uma unidade de saúde.


Evitar contato próximo com pessoas que apresentam sintomas compatíveis com a doença também contribui para reduzir o risco de transmissão. Isso porque o vírus pode ser transmitido cerca de cinco dias antes do início dos sintomas e permanecer transmissível até quatro dias após o surgimento das manchas avermelhadas. Em caso de suspeita, a recomendação é buscar atendimento médico e informar sobre possíveis exposições ao vírus.


“O sarampo não é uma doença do passado. Enquanto houver pessoas suscetíveis e cobertura vacinal insuficiente, o vírus continuará encontrando oportunidades para circular. A boa notícia é que existe uma forma segura, eficaz e amplamente disponível de prevenção: a vacinação”, conclui Julio Onita.

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