O relato da influenciadora Thais Reolon, que precisou de atendimento médico após ter contato com a seiva de um cacto-candelabro, chamou a atenção para um risco pouco conhecido das plantas ornamentais. Depois de podar a planta, ela começou a sentir uma forte ardência nos olhos e precisou passar a madrugada no hospital, onde foi diagnosticada com uma lesão na córnea provocada por uma queimadura química.
Nas redes sociais, Thais contou que o acidente aconteceu após cortar um dos galhos da planta. Mesmo tendo lavado as mãos e a faca utilizada, resíduos da seiva acabaram entrando em contato com seus olhos. A influenciadora descreveu a sensação como se tivesse jogado soda cáustica no rosto.
A verdade é que parecia que tinham jogado soda cáustica nos meus olhos. Até a minha pele queimou
Thais Reolon, influenciadora digital
Após receber anestesia local no hospital, ela foi avaliada por um oftalmologista, que identificou uma lesão ocular. Agora, faz tratamento com colírios para favorecer a cicatrização.
Apesar do nome popular, o chamado cacto-candelabro pertence à família Euphorbiaceae, conhecida por produzir uma seiva leitosa (látex) altamente tóxica e irritante. O contato da substância com os olhos pode provocar queimaduras na superfície ocular, inflamação intensa e lesões na córnea.
Segundo o oftalmologista Pedro Trés Vieira Gomes, do Hospital de Olhos de Vitória, acidentes desse tipo são mais comuns do que muitas pessoas imaginam, principalmente durante atividades de jardinagem realizadas sem equipamentos de proteção.
"A seiva dessas plantas funciona como um agente químico altamente irritante. Quando entra em contato com os olhos, pode causar queimaduras na superfície ocular, lesões na córnea e intensa inflamação. Dependendo da quantidade e do tempo de exposição, existe risco de sequelas permanentes e até perda da visão", explica.
O especialista destaca que agir rapidamente pode fazer toda a diferença para evitar complicações.
A orientação é lavar imediatamente os olhos com água corrente em abundância por pelo menos 15 a 20 minutos. Não se deve esfregar os olhos nem utilizar colírios por conta própria. Após a lavagem, é fundamental procurar um serviço de urgência oftalmológica
Entre os sinais que exigem atendimento imediato estão dor intensa, dificuldade para abrir os olhos, visão embaçada, vermelhidão persistente e sensibilidade à luz.
Após a avaliação médica, o tratamento pode incluir lavagem ocular complementar, colírios lubrificantes, medicamentos para controlar a inflamação e a dor e, em alguns casos, antibióticos para prevenir infecções.
Nos quadros mais graves, quando há comprometimento significativo da córnea, o paciente pode precisar de acompanhamento especializado para reduzir o risco de cicatrizes permanentes e preservar a visão.
Além de utilizar luvas e óculos de proteção durante a poda de plantas, os especialistas recomendam identificar espécies potencialmente tóxicas presentes em casa e mantê-las fora do alcance de crianças.
Embora sejam usadas com frequência na decoração de jardins e ambientes internos, algumas plantas podem representar riscos importantes quando manuseadas sem os devidos cuidados.