Quando foi a última vez que você fez um exame ginecológico? Que a saúde feminina é muito debatida durante o Outubro Rosa, todo mundo já sabe, pois esse mês foi escolhido para dar visibilidade ao tema. Mas é bom ressaltar que não é só nessa época do ano que mulheres e meninas devem se preocupar com a saúde, principalmente quando se trata de uma rotina de cuidados.
Os exames ginecológicos são feitos como rotina, quando ainda não há sintomas presentes, e focam em avaliar a saúde do aparelho reprodutor feminino, rastreando alterações antes que elas se tornem indicativos de alguma doença. Segundo a ginecologista Priscila Valentim, essa prática é de extrema importância e deve ser regular.
Muitas condições, do HPV a alterações hormonais, evoluem silenciosamente, e o acompanhamento regular permite uma intervenção em estágio inicial, quando o tratamento é mais simples e eficaz.
Priscila Valentim Ginecologista
A ginecologista Laura de Paiva Rodrigues também reforça a importância desse tipo de precaução, citando as doenças mais identificadas nas consultas. "Um exemplo é o câncer de colo uterino, no qual existe uma fase de lesão precursora que pode ser identificada e tratada antes de evoluir para um câncer", explica.
Junto a isso, a médica menciona alterações hormonais, miomas, cistos ovarianos e infecções, que também costumam aparecer primeiro em exames de rotina, muitas vezes antes de surgirem sintomas.
Entre os exames mais conhecidos pelo público feminino estão a mamografia, que analisa por meio de raio-X o tecido interno das mamas e serve para detectar o câncer de mama de forma precoce, e o papanicolau (ou preventivo), que pesquisa células do colo do útero para identificar inflamações vaginais, infecções como o HPV e lesões que podem resultar em câncer de colo uterino.
A partir do momento em que a mulher inicia sua vida sexual, os testes para infecções sexualmente transmissíveis, as ISTs, também entram na rotina.
Por mais que esses sejam os mais conhecidos, Priscila Valentim alerta ainda para a realização do teste funcional da saúde perineal ou do assoalho pélvico, que em sua opinião deveria ser mais difundido entre as mulheres, já que não é feito de forma regular.
A médica acrescenta que o exame costuma ficar de fora da rotina até surgir um sintoma, como incontinência, perda de urina ou disfunção, mas que tais problemas já poderiam ser resolvidos de forma preventiva em consultas.
O medo de que o exame ginecológico seja sempre doloroso ou constrangedor, ou a ideia de que se não há sintomas, não é necessário fazer acompanhamento, são mitos que atrapalham, pois invertem a lógica dos exames.
Laura de Paiva Rodrigues Ginecologista
Os testes ginecológicos devem ser feitos a partir do início da vida sexual da mulher, ou aos 25 anos, para o rastreamento de câncer de colo do útero. Já a mamografia deve ser realizada a partir dos 40 anos ou previamente a depender dos fatores de risco ou do histórico familiar.
Entretanto, a primeira consulta ginecológica pode acontecer bem antes, como na adolescência, para orientação e educação em saúde. A frequência com que cada análise deve ser feita, na maioria das vezes, ocorre de forma anual, mas isso depende do bem-estar da mulher e de sua necessidade.
Laura Rodrigues ressalta que a prevalência das rotinas de prevenção se dá entre mulheres que têm maior acesso à informação e aos serviços de saúde. As pacientes que menos procuram pelas consultas, são, segundo a médica, aquelas que não têm sintomas e deixam a prevenção em segundo plano, ou enfrentam dificuldades de acesso ao atendimento.
A ginecologista Priscila comenta que as mulheres que mais se preocupam com exames são as que têm casos de doenças na família ou em pessoas próximas. A profissional ressalta que a nova geração de meninas está mais interessada em conhecer os exames e se cuidar, e elogia a mentalidade desse público mais jovem.
Meninas estão buscando ir ao consultório assim que menstruam, antes mesmo de iniciar a vida sexual ou antes de gestar. Procurar ajuda e acompanhamento antes do evento acontecer é o ideal, pois assim conseguimos prevenir de forma mais eficaz.
Priscila Valentim Ginecologista
O calendário de rotinas de exames é feito de forma individualizada para cada mulher, e leva em conta variáveis como idade, vida sexual, histórico familiar, comorbidades, uso de contracepção e fase do ciclo reprodutivo (planejamento, gestação, puerpério ou climatério).
Os casos que necessitam de maior atenção são os de pacientes com histórico familiar de câncer de mama ou ovário, por exemplo, ou diagnóstico prévio de HPV, assim como endometriose, doenças autoimunes, obesidade, tabagismo e gravidez de risco.