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Cansaço, manchas roxas e infecções: quando procurar um médico?

As manchas roxas podem surgir com maior facilidade quando há redução no número de plaquetas, células que participam da coagulação e ajudam a conter pequenos sangramentos, mas nem todas são motivo de preocupação

Publicado em 13 de Outubro de 2026 às 08:00

Redação de A Gazeta

Publicado em 

13 out 2026 às 08:00
Mulher com mancha roxa
Manchas roxas podem ser sinais de alerta para doenças do sangue shutterstock

Cansaço ao fim do dia, uma mancha roxa que aparece sem que a pessoa se lembre de ter batido e infecções que se repetem são situações comuns e, muitas vezes, têm explicações simples. Mas, quando duram semanas, pioram com o passar dos dias ou aparecem juntos, podem ser sinais de alerta para doenças do sangue, como leucemias e linfomas.


Segundo a hematologista Camila Gonzaga, do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), o que separa um incômodo passageiro de um alerta é o conjunto dos sintomas. “Uma mancha roxa, isoladamente, ou cansaço, raramente definem um diagnóstico. O que pesa é a persistência, a intensidade desproporcional e a presença de outros sinais juntos”, explica.


Se o cansaço não é igual ao de uma noite mal dormida, não passa com descanso e limita atividades simples do dia a dia, também é um sinal de atenção. “A fadiga ligada a doenças onco-hematológicas é diferente e resulta de vários mecanismos ao mesmo tempo, como a anemia e a liberação de substâncias inflamatórias, que alteram o transporte de oxigênio e a comunicação com o sistema nervoso central. Na leucemia mieloide crônica, por exemplo, a fadiga ocorre em até 80% dos pacientes e frequentemente é a única pista antes de um hemograma de rotina revelar a doença”, diz a médica.


“Palidez, falta de ar ao esforço, palpitações ou intolerância ao exercício também podem ser indicativos, quando associados ao mesmo quadro clínico”, complementa.


Manchas roxas sem explicação


As manchas roxas podem surgir com maior facilidade quando há redução no número de plaquetas, células que participam da coagulação e ajudam a conter pequenos sangramentos, mas nem todas são motivo de preocupação. “Quando a medula óssea produz menos plaquetas, ou plaquetas que não funcionam bem, pequenos sangramentos deixam de ser contidos e aparecem na pele e nas mucosas. Já uma mancha isolada, em locais comuns como coxas e antebraços e sem outros sintomas, geralmente é causada por trauma ou fragilidade dos vasos com o avanço da idade”, explica Camila.


“Os sinais de alerta em relação às manchas roxas incluem sangramentos espontâneos ou desproporcionais ao trauma, como na gengiva e no nariz, além de fluxo menstrual excessivo (menorragia). Também merecem atenção as petéquias, pequenos pontos avermelhados ou arroxeados na pele, e manchas que surgem sem causa aparente, especialmente em regiões incomuns, como tronco e costas”, orienta.


Quando as infecções se repetem com frequência, merecem atenção. “Infecções recorrentes ou de repetição podem refletir neutropenia funcional, que é uma queda das defesas do organismo, ou níveis baixos de imunoglobulinas (anticorpos). Sinais na pele e na boca, como nódulos arroxeados, gengivas aumentadas ou sangramento espontâneo, também ajudam na averiguação das doenças do sangue”, detalha a médica.


Um hemograma é o primeiro passo


De acordo com a médica, o hemograma é um dos primeiros exames utilizados para identificar alterações que podem exigir uma investigação mais aprofundada. “Ele é uma janela para a função da medula óssea e pode detectar alterações que apontam para leucemias ou outras doenças onco-hematológicas”, explica.


Se houver alterações, novos exames são solicitados. “A investigação segue algumas etapas: o esfregaço de sangue periférico é o primeiro exame complementar e permite identificar características de células doentes. Também são feitas a avaliação direta da medula óssea e análises genéticas. Cada um responde a uma pergunta diferente e ajuda a definir o tipo de doença e o melhor tratamento”, ressalta.


Para a médica, sintomas que persistem por mais de duas a quatro semanas, pioram progressivamente ou aparecem associados a outros sinais merecem investigação. Cansaço persistente, manchas roxas sem causa aparente ou infecções recorrentes, sobretudo quando ocorrem em conjunto, justificam uma avaliação médica.

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