O câncer de mama deve registrar 78.610 novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). A doença representa 30% dos novos casos de câncer entre mulheres, excluindo os tumores de pele não melanoma, e tem risco estimado de 71,57 casos a cada 100 mil mulheres.
Os números reforçam a importância do Outubro Rosa, campanha que amplia a discussão sobre prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce da doença. Mas, quando o assunto é mamografia, uma dúvida ainda é comum: toda mulher precisa fazer o exame todos os anos? A resposta depende do objetivo da avaliação e do perfil de cada paciente.
O rastreamento é realizado em pessoas que não apresentam sinais ou sintomas, com o objetivo de identificar uma doença antes que ela se manifeste. No Brasil, desde setembro de 2025, o Ministério da Saúde passou a recomendar o rastreamento mamográfico, no SUS, para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos.
Isso não significa, porém, que mulheres fora dessa faixa etária não devam procurar avaliação ou que uma alteração na mama deva esperar até a idade indicada para o rastreamento.
“São situações diferentes. O rastreamento é uma estratégia para acompanhar uma população que não apresenta sintomas, enquanto a investigação acontece quando existe uma alteração, um sintoma ou algum fator que indique a necessidade de uma avaliação mais detalhada. Por isso, não devemos pensar na mamografia apenas como um exame que começa ou termina em determinada idade”, explica Erika Simplício, oncologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
A diferença é especialmente importante porque a idade é um dos principais fatores de risco para o câncer de mama. Cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem depois dos 50 anos, segundo o INCA. Isso também significa que uma parcela dos diagnósticos acontece antes dessa idade, o que reforça a importância de considerar outros fatores além da faixa etária.
Quando a avaliação pode ser antecipada?
Além da idade, histórico pessoal e familiar, alterações identificadas anteriormente e outros fatores individuais podem modificar a estratégia de acompanhamento. Nesses casos, a avaliação médica ajuda a definir se é necessário investigar antes do período previsto para o rastreamento populacional e quais exames são mais adequados.
“Uma mulher mais jovem, por exemplo, pode não estar na faixa etária do rastreamento populacional e ainda assim precisar de investigação. Da mesma forma, uma pessoa dentro da faixa de rastreamento pode ter uma situação que exija uma avaliação diferente. O que muda é o contexto clínico de cada uma”, afirma Erika.
O objetivo, segundo a especialista, não é realizar o maior número possível de exames, mas evitar tanto a investigação desnecessária quanto a perda de uma oportunidade de diagnóstico precoce.
“Detecção precoce não significa simplesmente fazer mais exames. Significa saber quem precisa ser investigado, qual exame faz sentido e em que momento. A avaliação individual é importante justamente para que a investigação seja direcionada”, explica.
E quando existe um sinal ou sintoma?
A lógica também muda quando a mulher percebe alguma alteração. Nesses casos, a situação deixa de ser um rastreamento de rotina e passa a exigir investigação diagnóstica.
Alterações como caroço ou nódulo na mama, mudança no formato ou tamanho da mama, alterações na pele, retração do mamilo, secreção pelo mamilo ou mudanças persistentes devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
“Nem toda alteração na mama significa câncer, mas uma mudança que não era habitual deve ser investigada. O importante é não esperar que o sintoma desapareça por conta própria ou tentar definir a causa em casa. A avaliação médica vai determinar se são necessários exames e quais devem ser realizados”, orienta a oncologista.