Coriza, tosse e nariz entupido são sintomas comuns em bebês, mas também podem ser os primeiros sinais de bronquiolite. A doença atinge as pequenas vias aéreas dos pulmões e pode causar chiado e dificuldade para respirar.
A bronquiolite é uma infecção respiratória aguda que costuma ser causada por vírus, sendo o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) o principal agente transmissor. O quadro geralmente começa de forma leve, imitando um resfriado comum, mas pode se intensificar ao longo da primeira semana.
"A bronquiolite geralmente começa com sintomas semelhantes aos de um resfriado, como coriza e tosse, e pode evoluir para chiado e dificuldade para respirar. Os sintomas costumam ficar mais intensos entre o terceiro e o quinto dia de doença e, depois, tendem a melhorar gradualmente", explica a pediatra Sandra Amorim, da Bluzz Saúde.
A bronquiolite pode ser grave, especialmente em bebês muito pequenos (menores de 6 meses). Porém, na maioria dos casos, a infecção evolui de forma leve a moderada e melhora em cerca de uma a duas semanas com cuidados de suporte em casa.
A pediatra explica que a gravidade da bronquiolite varia de acordo com a resposta do organismo e a idade da criança. "O principal risco é o comprometimento da respiração, o que exige monitoramento constante da família em relação aos sinais de esforço respiratório (como costelas marcadas ao respirar ou batimento das asas do nariz)".
A dificuldade para respirar interfere diretamente em outras funções vitais, como a amamentação e a ingesta de líquidos.
Sandra Amorim Pediatra
A médica diz que o esforço para respirar pode dificultar a sucção e fazer o bebê mamar menos. "Os pais devem observar se ele consegue manter as mamadas, se está urinando normalmente e se apresenta sinais de desidratação, como boca seca, menos lágrimas e redução importante da urina".
A maioria dos casos leves de bronquiolite pode ser tratada e acompanhada em casa. A chave para a recuperação no alívio dos sintomas para facilitar o descanso e a alimentação. Segundo Sandra Amorim, pequenas atitudes diárias fazem grande diferença, como:
Higienização nasal: a lavagem nasal com soro fisiológico pode ajudar a manter as vias aéreas desobstruídas, principalmente antes das mamadas e do sono.
Hidratação reforçada: manter o bebê bem hidratado e oferecer mais leite com maior frequência ajudam no processo.
Observação rigorosa: é importante observar atentamente a respiração e o comportamento do bebê durante todo o período.
Não existe um remédio único que cure a bronquiolite de forma rápida, o foco do tratamento é o alívio dos sintomas enquanto o corpo combate o vírus.
"Na maioria dos casos, o tratamento é de suporte, com medidas para manter a hidratação e facilitar a respiração. Os pais não devem oferecer antibióticos, corticoides, xaropes ou outros medicamentos por conta própria. Qualquer medicação deve ser indicada pelo pediatra. A nebulização também depende da avaliação médica e não deve ser feita com medicamentos sem prescrição", ressalta a especialista.
E uma dúvida entre os pais e responsáveis é se o bebê pode ter mais de uma vez? A resposta é sim. Ter um episódio da doença não garante imunidade permanente ao bebê. "O bebê pode ter bronquiolite novamente porque diferentes vírus podem causar a doença. Ter tido um episódio não garante proteção contra novos episódios", reforça a pediatra.
*Este conteúdo foi produzido por Analu Fagundes, residente do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação do editor Guilherme Sillva