A atriz Bárbara Reis, intérprete de Lena na novela 'Três Graças', revelou que decidiu realizar um procedimento cirúrgico para tratar o lipedema, doença caracterizada pelo acúmulo de tecido adiposo principalmente nas pernas. "Finalmente decidi operar o meu lipedema. Sim, vou operar. E adiei muito essa decisão. Depois que fui diagnosticada achei que não fosse querer operar um dia, mas cheguei nessa decisão porque quero me livrar dos sintomas: dor, hematomas, peso nas pernas", disse a artista.
O lipedema afeta predominantemente mulheres e surge principalmente nos membros inferiores, mas também pode acometer membros superiores e, em raros casos, áreas distintas como abdômen, face e axilas. "Sabemos que o tratamento cirúrgico pode ajudar o paciente, mas deve sempre ser acompanhado do tratamento clínico, conservador, que tem como base quatro pilares: dieta anti-inflamatória, atividade física específica para lipedema, terapia física complexa e protocolos medicamentosos específicos para a doença”, explica a cirurgiã plástica Heloise Manfrim.
A abordagem clínica inclui mudanças no estilo de vida, como alimentação com foco anti-inflamatório, prática de atividade física adaptada, drenagem linfática, uso de meias de compressão e acompanhamento multidisciplinar.
Nos casos em que o tratamento clínico não é suficiente para controlar a dor e melhorar a mobilidade, a cirurgia pode ser indicada. “A lipoaspiração específica para lipedema tem como objetivo remover o tecido adiposo doente, aliviar sintomas e devolver funcionalidade. A cirurgia é indicada quando, geralmente, o tratamento conservador não apresentou os resultados desejados, mas independente da intervenção cirúrgica, o tratamento clínico deve ser contínuo, uma vez que o lipedema ainda não tem cura”, diz a cirurgiã plástica Patricia Lyra.
Heloise Manfrim diz que a doença é interdisciplinar e seu tratamento envolve, além do cirurgião plástico, profissionais como endocrinologistas, nutricionistas e cirurgiões vasculares. “O lipedema é sempre simétrico e os sintomas incluem sensação dolorosa ao toque, aumento da frequência de hematomas espontâneos e maior tendência ao acúmulo de líquido. Apesar de estar relacionada a fatores hereditários e hormonais, a doença ainda não tem causa definida e, logo, não tem cura. Mas existe uma diversidade de procedimentos e terapias capazes de aliviar os sintomas e controlar a evolução da doença para impedir o surgimento de complicações como cicatrizes, infecções e falta de mobilidade”, explica.
A especialista explica que a lipoaspiração ganha cada vez mais espaço, inclusive para impedir a progressão da doença. “A cirurgia é indicada quando a paciente já fez o tratamento clínico por mais de seis meses e não apresentou melhora ou quando a paciente tem uma queixa estética muito mais importante do que a queixa funcional".
O tratamento com lipoaspiração é especialmente interessante para aliviar as dores causadas pelo lipedema, segundo a médica. “Além disso, é claro, a cirurgia também diminui a largura dos membros afetados. A técnica utilizada vai variar de acordo com cada caso. Por exemplo, quando a retirada da gordura tem altas chances de resultar em flacidez, podemos realizar a lipoaspiração com plasma, que aquece e provoca uma retração na pele, o que diminui a flacidez do tecido”, completa a cirurgiã.
Segundo Heloise, os resultados do procedimento no tratamento do lipedema são satisfatórios e duradouros. Mas, apesar da maior parte da gordura ser retirada, pode restar uma pequena quantidade de células adiposas doentes que ainda possuem a capacidade de acumular gordura, segundo a médica. “Logo, ainda que a lipoaspiração ofereça bons resultados e o processo natural de emagrecimento não tenha grande impacto sobre as áreas afetadas pelo lipedema, a adoção de um estilo de vida saudável é indispensável para potencializar a ação do procedimento e impedir que a doença evolua novamente”.
A cirurgiã plástica ressalta que a lipoaspiração não é a primeira escolha de tratamento para o lipedema, sendo reservada para casos mais graves ou quando tratamentos mais conservadores, como terapias de compressão e massagem, não obtiveram sucesso. Por isso, antes de optar por qualquer tipo de terapia para a condição, a consulta com um médico especializado é fundamental. “Além disso, o lipedema é de difícil diagnóstico, sendo constantemente confundido com obesidade, pois não existem exames específicos para identificação da doença. Cabe então ao médico durante a consulta de avaliação diagnosticar o lipedema corretamente por meio dos sinais clínicos, recomendando assim o tratamento mais adequado para cada caso”, finaliza Heloise Manfrim.