Tornou-se usual no Brasil, nos últimos anos, chamar mulheres que são bem-sucedidas, principalmente no esporte, de “brutas”. Comentários do tipo “é pura brutalidade” são tidos como elogios nas redes sociais. Confraria das “brutas” é a nova forma de mulheres se auto-organizarem em grupos de amigas. Escrever “brutas” nos uniforme de ciclismo tornou-se a regra!
Mas será que sabemos realmente o significado e a origem do termo brutalidade?
Segundo o dicionário Aurélio on-line, brutalidade significa: rudeza, grosseria, violência, selvageria, castigar com brutalidade. De acordo com o mesmo dicionário, são sinônimos de brutalidade, barbaridade e desumanidade.
Brutalidade está ligado à violência, violência que muitas vezes é praticada pelo homem contra a mulher. De acordo como Caroline Espinola, no seu livro "Dos Direitos Humanos das Mulheres à Efetividade da Lei Maria da Penha", “a violência é um ato de brutalidade, abuso, constrangimento, desrespeito, discriminação, impedimento, imposição, invasão, ofensa, proibição, sevícia, agressão física, psíquica, moral ou patrimonial contra alguém, e caracteriza relações intersubjetivas e sociais definidas pela ofensa e intimidação, pelo medo e terror”.
Historicamente, a mulher sofreu discriminação e violência em suas relações intersubjetivas e sociais, ou seja, nos seus relacionamento afetivos e familiares, e no ambiente do trabalho. Por isso, uma das reações a tantos anos de opressão e desigualdades é o uso invertido de formas de agir tipicamente masculinizadas e machistas, como a violência como forma de expressão feminina. Assim, muitas pessoas vêm defendendo que o feminismo é a total igualdade na forma de agir masculina.
Vamos com calma aqui: a mulher tem direito de ser quem ela quer ser, de estar onde ela quer estar. Para isso ela não precisa incorporar formas, trejeitos, costumes e hábitos masculinos, modos esses de agir que as oprimiram (e ainda oprimem) por anos a fio, na história da humanidade.
Ora, agir com violência e brutalidade, de forma desumana e desrespeitosa não é necessário para ser uma mulher na pós-modernidade. Pelo contrário, a mulher deve-se considerar independente e autônoma, se puder ser ela mesma, com as suas idiossincrasias, seus hormônios específicos, suas qualidades únicas, no mesmo ambiente em que convive com homens, sem necessidade de agir como eles.
Enfim, quem acredita que tem que ser igual a um homem para ter direitos de cidadã, direitos humanos, direito à equiparação salarial, à dignidade humana, a ser vitoriosa na vida e no esporte, talvez esteja se submetendo a uma lógica machista e patriarcal sem mesmo estar sabendo que está sendo manipulada.