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Entre julgamentos e elogios

Hábito de falar sozinho pode ser aliado dos pensamentos e emoções

O falar também ajuda a externalizar o que está dentro de nós. 'Quando a gente fala há um alívio, além de promover um autoconhecimento', diz a psicóloga Adriana Müller

Publicado em 30 de Julho de 2020 às 19:18

Redação de A Gazeta

Publicado em 

30 jul 2020 às 19:18
Falar sozinho
Falar sozinho é um hábito comum e benéfico, segundo psicóloga Crédito: Pixabay
Quem nunca se pegou falando sozinho? A prática, tão comum, é benéfica e ajuda na organização dos nossos pensamentos e emoções, segundo a psicóloga e comentarista da CBN Vitória, Adriana Müller. Porém, mesmo sabendo do efeito positivo dessa prática, a psicóloga chama atenção para alguns cuidados.
De acordo com a comentarista do CBN e a Família, em entrevista ao jornalista Fábio Botacin nesta quinta-feira (30), é preciso distinguir o falar sozinho de surtos psicóticos, coisas bem diferentes. 
"Falar sozinho é um daqueles hábitos comuns, é algo que os seres humanos fazem. O senso comum, com uma tendência de generalizar tudo, coloca o hábito no mesmo pacote das pessoas que estão em um surto psicótico. Elas ouvem vozes, enxergam pessoas, não é disso que estamos falando", chama atenção.
Segundo Adriana Müller, a área do cérebro responsável pelo pensamento é diferente da área que monitora a fala. Essa separação dá ainda mais importância ao processo de falar sozinho. A organização de maneira lógica da fala e do pensamento é uma estratégia, por exemplo, para memorização.
"Sempre que a gente vai pensar, a gente pensa frases, é uma sequência de palavras. E pra falar é preciso organizar os pensamentos, uma organização lógica. O falar também ajuda a externalizar o que está dentro de nós. Quando a gente fala há um alívio, além de promover um autoconhecimento", diz.
A especialista ainda enfatiza a importância da combinação entre pensamento e fala para os próprios atendimentos.
"Por isso que a base de todo atendimento psicológico, de toda terapia, é a fala. Assim se coloca pra fora e há o processo de autoconhecimento. Claro que, nesse caso, há alguém pra ouvir e organizar de acordo com uma teoria, mas de qualquer forma a organização do pensamento é benéfico", completa a psicóloga.
Apesar de todo esse lado positivo envolvendo o hábito de falar sozinho, a psicóloga chama atenção para "exageros":
  • Se as falas estão sendo muito críticas a você mesmo, elas podem reforçar sentimento ruins e pesados. Cuidado para não ficar refém das sensações ruins;
  • Se depois de falar, você fica aliviado, encontrou resposta para a situação. Mas se o efeito reforçou um sentimento ruim, tem que prestar atenção no exagero;
  • Começar a falar sozinho em meio a outras pessoas é um exagero. Busque ajuda de alguém para colocar pra fora, um bom interlocutor.
Em todas as situações, é preciso estar atento ao comportamento. Procure um atendimento caso o hábito de falar sozinho não esteja beneficiando seus pensamentos e emoções.

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