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Preconceitos

Reprodução mimética de discriminações reforça as violências cotidianas

Não ser machista, racismo, homofóbico é um exercício que demanda, de início, uma escuta ativa daquelas pessoas que sofrem os preconceitos

Publicado em 05 de Fevereiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

05 fev 2020 às 04:00
Renata Bravo

Colunista

Renata Bravo

Luta contra o preconceito Crédito: Divulgação
A última polêmica – pelo menos até o término deste artigo - da “casa mais vigiada do Brasil” foi, em uma conversa, um participante dizer para um outro confinado que ele é machista e o brother responder que não era. Há algum tempo só acompanho os acontecimentos do "BBB" pelas redes sociais. Mesmo para quem não assiste diariamente e não gosta do programa, é inevitável que os assuntos que surgem dele tomam diversas conversas “aqui de fora”.
Os homens do programa estão sendo taxados de tóxicos, de “boy lixo”, “macho podre” e não estão se dando conta que é preciso ouvir mais do que simplesmente dizer “eu não sou machista”. Gostando ou não do programa, o "BBB" é um retrato bem reduzido e filmado o tempo todo do que acontece diariamente nos ambientes familiares, domésticos, de trabalho, de lazer e também nas redes sociais.
A masculinidade tóxica, tema que está sendo bastante debatido ultimamente (e que bom!) é uma realidade e está hora de os homens escutarem as mulheres e os outros homens que já entenderam que o sistema reforça a reprodução de atitudes agressivas, desrespeitosas e violadoras de direitos das mulheres.
Como exemplo, cito um episódio que aconteceu comigo no último fim de semana. Ao saber de um novo estabelecimento em Vitória e, a princípio, me interessar por ele, fui descobrir como era o local pelas redes sociais do restaurante e me deparei com posts que julguei agressivos e pejorativos.
Dividi minha angústia na minha rede social e dezenas de pessoas responderam se mostrando indignadas com as palavras usadas pelo restaurante, prometendo o boicote ao local. No dia seguinte, enviei uma mensagem ao restaurante perguntando se o tom pejorativo das “piadas” era uma política de marketing do local e recebi uma resposta, aparentemente do dono que é homem, que só me confirmou o que eu já imaginava: ao serem contestados em suas posições de privilégios e de violências, os homens tendem a agravá-las mais ainda.
Não ser machista, racismo, homofóbico é um exercício que demanda, de início, uma escuta ativa daquelas pessoas que sofrem os preconceitos. Então, se uma mulher te disser, homem, que você está sendo machista, ao menos reflita sobre essa afirmação e a pergunte o porquê, antes de estufar o peito para replicar dizendo que não é machista e que a mulher é louca por estar te acusando. O mesmo vale para quando o branco for acusado de racista pelo negro e quando o hétero receber tal crítica pelo homossexual.
A reprodução mimética de discriminações, daquilo que sempre foi visto como “brincadeira”, só reforça o sistema misógino que estamos presenciando. Enquanto violências forem entendidas como piadas, continuaremos vendo tanto “boy lixo” ao nosso redor, mas felizmente estamos criando campos de imunidade contra toda essa toxidade.

Renata Bravo

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