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Baixando reincidências

"Homem que é Homem" reduz repetição de violência contra mulheres

Projeto desenvolvido pela polícia capixaba com homens que agrediram mulheres promete inibir reincidência de 80% para 5%

Publicado em 11 de Outubro de 2023 às 15:14

Jaciele Simoura

Publicado em 

11 out 2023 às 15:14
O projeto "Homem que é Homem", lançado em 2015 e idealizado por psicólogas e assistentes sociais da Polícia Civil do Espírito Santo, contribui para diminuir a reincidência de agressão à mulher. Segundo a titular da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher (DIV-Deam), delegada Cláudia Dematté, as chances de homens voltarem a agredir mulheres podem chegar a até 80% — ou seja, a cada 100 agressores, é bem provável que 80 façam novamente. 
"A chance de reincidência gira em torno de 70% a 80%. Ao passo que o homem, autor da violência doméstica e familiar, que além da punição criminal é encaminhado para grupo de reflexão como o projeto da PCES, essa chance de reincidência cai para 5%", afirma a delegada. Veja abaixo vídeo sobre o projeto:
Um homem, que prefere não se identificar e agora faz parte do projeto, foi proibido pela Justiça de se aproximar de duas ex-companheiras. As mulheres, que tiveram relacionamento com ele em momentos diferentes, foram vítimas de perseguição por ciúmes e vítimas de agressões verbais. "No momento não pensei nas consequências”, avaliou. Questionado pelo repórter Álvaro Guaresqui, da TV Gazeta, o homem negou que as tenha agredido fisicamente. “Verbalmente sim, mas fisicamente não”.
Com duas medidas protetivas contra ele, o homem foi obrigado a frequentar o projeto, que desde 2015 já atendeu mais de 500 homens. Só no ano passado foram 236. "Somos filhos de mulheres, temos irmãs e filhas. Se não tiver jeito de conversar, separa ou dá um tempo", afirmou. 
Homem participa do projeto
Um dos homens que participam do projeto da Polícia Civil do Espírito Santo Crédito: Yago Araújo
Os encontros não são cursos, mas momento de reflexão em grupo em que homens repensam não só o próprio comportamento violento, mas as atitudes enquanto figuras masculinas. Cada ciclo leva dois meses e é dividido em oito debates.
"Diante de toda estrutura cultural na nossa sociedade não adianta acharmos que vamos enfrentar a violência contra a mulher e termos resultados apenas com ações de repreensão. As ações de desconstrução desse machismo são extremamente necessárias"
Cláudia Dematté - Delegada
De acordo com a psicóloga e técnica de referência do projeto “Homem que é Homem”, Ana Paula Milani Patrocínio, inicialmente o homem se sente incomodado e chega a culpar a mulher por estar participando dos encontros.  “Via de regra ele vai para esse projeto, chega muito incomodado, bastante inconformado com o fato de estar participando, acreditando por vezes que a culpa é da mulher. E ao longo do processo, ele vai compreendendo o que acontece, as discussões que vão sendo propostas”, explicou.
Entre os temas abordados no projeto estão:
  • Masculinidade
  • Paternidade
  • Sexualidade
  • Formas pacíficas de lidar com conflitos
"Ele vai entendendo que a proposta daquilo não é uma atividade que vai penalizá-lo, mas que está ali para contribuir que tenha uma outra postura diante, inclusive, da vida"
Ana Paula Milani Patrocínio - Psicóloga e técnica de referência do projeto “Homem que é Homem”
Psicóloga e técnica de referência do Projeto “Homem que é Homem”, Ana Paula Milani Patrocínio e delegada Cláudia Dematté
À esquerda, a delegada Cláudia Dematté. À direita, a psicóloga e técnica de referência do projeto, Ana Paula Milani Patrocínio Crédito: Yago Araújo
Segundo a delegada Cláudia Dematté, o maior desafio dos primeiros encontros é fazer os homens compreenderem os reais motivos que os levaram até ali. "Infelizmente a violência doméstica e familiar contra a mulher sempre existiu na sociedade, fruto desse machismo, onde homens acham que mulher é posse”, finalizou.
(Essa reportagem foi gerada com informações do repórter Álvaro Guaresqui, da TV Gazeta)

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