Ensinar
crianças a reconhecer situações de risco e agir diante de desastres é o
objetivo de uma iniciativa do poder público de Colatina, no Noroeste do
Espírito Santo. Com atividades lúdicas e linguagem adaptada ao público
infantil, o projeto que leva orientações da Defesa Civil a escolas municipais
em áreas de risco foi uma das vencedoras na 6ª edição do Prêmio Biguá de Sustentabilidade 2026, na Região Noroeste, realizado pela Rede Gazeta a fim de valorizar ações de preservação
ambiental e desenvolvimento sustentável.
A cerimônia de premiação aconteceu na noite de terça-feira (27), em Colatina, com o tema “Todos 100%
Presentes”. Neste ano, mais de 100 projetos foram inscritos no Espírito Santo.
Após a avaliação de uma comissão técnica, as iniciativas selecionadas foram
reconhecidas em quatro categorias.
Para a diretora
regional da Rede Gazeta, Maria Helena Vargas, a premiação incentiva e valoriza
ações que contribuem para a conservação e a recuperação do meio ambiente.
O prêmio é um importante instrumento de incentivo e reconhecimento às boas práticas ambientais, em projetos voltados à preservação, conservação e recuperação do meio ambiente. Essas práticas são fundamentais para a sustentabilidade ambiental, econômica e social dos capixabas.
Maria Helena Vargas
Diretora Regional da Rede Gazeta
Aprendendo a reconhecer riscos e prevenir desastres
O projeto “Cientistas da Prevenção”, vencedor da categoria
Poder Público, surgiu de uma parceria entre a Defesa Civil de Colatina e a
Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação. A proposta é
transformar orientações normalmente transmitidas em treinamentos da Defesa
Civil em atividades educativas, com linguagem acessível às crianças.
Além de aprender a identificar riscos e como agir em
situações de emergência, os estudantes são incentivados a compartilhar o
conhecimento com as famílias, tornando-se multiplicadores das informações e
contribuindo para fortalecer uma cultura de prevenção no município.
A gente iniciou com escolas-piloto, justamente residentes em áreas de risco. Mas a ideia agora é estender isso, não só para a comunidade escolar, mas para comunidades que já estão inseridas nessa setorização de risco e para quem precisar da percepção dessas informações, sobre como se comportar diante de tantos desastres que a gente vê com certa recorrência aqui no município.
Allex Guerra
Subsecretário-adjunto de Proteção e Defesa Civil de Colatina
Educação ambiental com diversão
Na Escola Municipal de Ensino Infantil e Ensino Fundamental
Luiz Mônico, em São Roque do Canaã, um personagem conhecido dos desenhos
animados virou aliado da educação ambiental. O projeto "Stitch: Conectando
Pessoas, Reciclando Ideias, Transformando Futuros", ganhador da categoria
Escola, utiliza o personagem da Disney para ensinar, de forma lúdica, a reduzir a
produção de lixo, separar os resíduos, reaproveitar materiais e descartar corretamente.
A iniciativa envolve alunos, professores e famílias,
incentivando mudanças de hábitos que vão além da sala de aula e chegam também
às casas e à comunidade. A proposta é transformar a sustentabilidade em uma
prática cotidiana.
Hoje, vejo que a sustentabilidade está dentro do dia a dia e do nosso currículo escolar. Queremos passar isso para qualquer pessoa que queira implementar esse projeto, que é de baixo custo. É só querer pôr a mão na massa.
Bruna Priori Possati
Professora
Placas interativas e sensoriais viram forma de inclusão
Facilitar a comunicação de crianças em espaços públicos
também é uma forma de inclusão. Em Colatina, o projeto "Voz para Todos" criou placas interativas e sensoriais para ajudar pessoas com dificuldades
de comunicação a expressar necessidades e sentimentos. O projeto c
A iniciativa surgiu da experiência da fonoaudióloga Poliana
Monteiro Ladislau, que identificou no recurso uma possibilidade
de ampliar a acessibilidade e contribuir para a inclusão de pessoas que não
conseguem se comunicar pela fala. A brincadeira na praça agora é muito mais divertida e acessível.
Comunicar-se é um direito de todos. Do mesmo modo que uma pessoa com perda auditiva usa aparelho auditivo e uma pessoa cadeirante usa cadeira de rodas, uma pessoa que não consegue se comunicar tem o direito de ter voz. Ela pode se comunicar da forma que quiser e não da forma que eu quero que se comunique.
Poliana Monteiro Ladislau
Fonoaudióloga
Da destruição da mata ao reflorestamento
Uma área antes devastada passou por décadas de regeneração natural e hoje reúne práticas de produção sustentável em Boa Esperança. A propriedade de Antônio Silva Capeline e da esposa, Nilsa dos Santos Silva, é o cenário do projeto "Da Regeneração à Sustentabilidade: Biodiversidade, Meliponicultura, Agrofloresta e Produção de Alimentos Saudáveis", vencedor na categoria Produtor Rural.
A experiência começou em 1983, quando o casal decidiu permitir a recuperação natural de aproximadamente dez hectares de uma propriedade de 18,98 hectares. Atualmente, o espaço reúne quintal agroflorestal, cultivo agroecológico, produção de alimentos sem agrotóxicos e criação de abelhas nativas sem ferrão, com 16 colmeias.
Mas a história nem sempre foi assim. O produtor conta que,
quando era jovem, também contribuiu para a devastação da área. Com o tempo,
porém, percebeu os impactos ambientais, como a erosão do solo, e decidiu mudar
a forma de cuidar da propriedade.
Eu fiz a destruição, mas depois vi que a devastação estava muito terrível na minha propriedade, porque dava muita erosão. Aí, falei: a solução disso é deixar essas árvores reviverem. E foi o que eu fiz.
Antônio Silva Capeline
Produtor rural
Hoje, ele observa os resultados da recuperação ambiental,
especialmente nas nascentes e na disponibilidade de água para a produção
agrícola da família.