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Cerimônia em Cachoeiro

Coleira tecnológica para pets criada por estudantes ganha Prêmio Biguá no Sul do ES

Foram premiados 13 projetos na etapa regional, com iniciativas que envolvem educação ambiental, inovação tecnológica, reciclagem e reaproveitamento de resíduos

Publicado em 27 de Outubro de 2026 às 20:10

Pedro Nunes

Publicado em 

27 out 2026 às 20:10
Família que morreu em acidente na BR 101, em Jaguaré, foi velada e enterrada em Cariacica
Representantes de 13 projetos foram reconhecidos na etapa da região Sul do Prêmio Biguá  Pedro Nunes 

A preocupação com o sofrimento causado pelo sumiço de animais domésticos levou estudantes de uma escola de Anchieta, no Litoral Sul do Espírito Santo, a desenvolver uma coleira tecnológica que ajuda os tutores a reencontrarem os seus pets. Em fase final de desenvolvimento, o projeto foi um dos vencedores da 15ª edição do Prêmio Biguá de Sustentabilidade, que reconhece iniciativas sustentáveis no Estado.


Realizada pela Rede Gazeta, a cerimônia de premiação para a Região Sul do Estado ocorreu nesta terça-feira (27), em Cachoeiro de Itapemirim. Ao todo, entre 57 inscritos, foram premiados 13 projetos, em cinco categorias.


As iniciativas premiadas foram desenvolvidas por escolas, produtores rurais, empresas, instituições públicas e organizações da sociedade civil. Voltados à preservação ambiental, inovação e ao desenvolvimento sustentável, os projetos reconhecidos são de oito municípios: Cachoeiro de Itapemirim, Anchieta, Vargem Alta, Guaçuí, Alegre, Jerônimo Monteiro, Marataízes e Domingos Martins.


Criado em 2012, o Prêmio Biguá tem como objetivo dar visibilidade a iniciativas ambientais que possam ser seguidas pela sociedade. Com o tema “Todos 100% presentes”, a edição deste ano reforça a importância da participação coletiva na preservação da natureza.

O Prêmio Biguá chega à 15ª edição cumprindo seu objetivo, que é dar visibilidade e promover iniciativas que possam ser replicadas pela sociedade. Com isso, podemos favorecer o crescimento e o desenvolvimento de forma sustentável.

Maria Helena Vargas diretora regional da Rede Gazeta

Categoria escola: tecnologia para ajudar animais perdidos
Família que morreu em acidente na BR 101, em Jaguaré, foi velada e enterrada em Cariacica
Representantes de Anchieta foram premiados na categoria escola  Pedro Nunes 

O projeto PetSafe, desenvolvido por estudantes do 9º ano da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Professora Maria Luiza Flores, localizada em Mãe-Bá, Anchieta, foi o vencedor da categoria escola. A iniciativa utiliza a tecnologia para facilitar o reencontro de animais perdidos com seus tutores.


Em fase final de desenvolvimento, o projeto prevê a utilização de coleiras com QR Code por animais domésticos. Por meio do código no equipamento, é possível acessar informações cadastradas sobre os pets e os contatos autorizados pelos responsáveis. Assim, caso cachorros, gatos ou outros animais fiquem perdidos nas ruas, a identificação dos seus tutores poderá ser feita de forma imediata.


A proposta também inclui um aplicativo desenvolvido pelos próprios estudantes, sob orientação de professores, para facilitar o acesso aos dados e contribuir para que os animais retornem para casa.


O reconhecimento alcançado no Prêmio Biguá foi recebido como um incentivo ao trabalho realizado pelos alunos e pela equipe escolar. “Receber o prêmio para nós, escola pública em tempo integral, é muito importante”, afirmou a professora Aline Gomes.


Além de estimular a criatividade dos estudantes, a iniciativa aproxima a educação do cotidiano e demonstra como os conhecimentos tecnológicos podem ser utilizados para enfrentar problemas reais da sociedade.

Produtor rural: resíduos da laranja viram adubo
Família que morreu em acidente na BR 101, em Jaguaré, foi velada e enterrada em Cariacica
Projeto desenvolvido em propriedade de Alegre venceu categoria produtor rural  Pedro Nunes 

Na categoria produtor rural, o vencedor foi o projeto Da Laranja ao Café: Fechando o Ciclo da Sustentabilidade no Campo, do campus de Alegre do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), que propõe transformar resíduos agrícolas e pecuários em insumos para a própria produção rural.


Responsável pelo projeto, o agricultor Thiago Cunha Fabrone explica que a iniciativa surgiu a partir do reaproveitamento de laranjas que não eram comercializadas e permaneciam no chão do laranjal. Além de representar desperdício de matéria orgânica, essa situação poderia favorecer problemas fitossanitários, como a presença de moscas-das-frutas.


A proposta consiste em combinar as laranjas descartadas com palha de café e esterco de ovinos para produzir um composto orgânico com potencial de utilização como substrato e adubo.


O projeto nasceu de um problema identificado na propriedade rural e passou a buscar uma alternativa para o reaproveitamento dos resíduos. A proposta é dar uma destinação aos materiais descartados e permitir que retornem ao sistema produtivo.


Com a prática, o projeto busca reduzir o descarte inadequado de resíduos, reaproveitar nutrientes e melhorar o aproveitamento da matéria orgânica gerada na propriedade. A iniciativa também apresenta uma alternativa que pode ser reproduzida por outros produtores rurais.


A experiência demonstra como materiais que antes seriam descartados podem retornar ao ciclo produtivo, contribuindo para uma agricultura mais sustentável.

Sociedade civil: catadores incentivam reciclagem em escolas
Família que morreu em acidente na BR 101, em Jaguaré, foi velada e enterrada em Cariacica
Integrantes da associação de catadores Unipran saíram vencedores da categoria sociedade civil  Pedro Nunes

A Associação de Catadores da Unidade Primária de Materiais Recicláveis de Anchieta (Unipran) foi reconhecida pelo projeto Escola que Recicla. A vencedora da categoria sociedade civil mantém uma rede permanente de coleta seletiva na comunidade escolar do município desde agosto de 2018.


A iniciativa reúne três frentes principais: educação ambiental continuada, instalação de estruturas para a separação e coleta de resíduos nas escolas e monitoramento da quantidade de materiais recicláveis recolhidos.


Os catadores também atuam como educadores ambientais, aproximando os estudantes do trabalho de coleta e triagem dos resíduos. O projeto prevê ainda visitas de alunos ao galpão de triagem e parcerias com instituições públicas e de ensino.


Em oito anos, foram 47,6 toneladas de materiais recicláveis desviadas do aterro sanitário e distribuídas em 1.594 pesagens registradas. Segundo os dados do projeto, o resultado equivale a uma estimativa de 31,9 toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO₂e) evitadas.


A iniciativa também capacitou 120 profissionais da educação. O material separado é comercializado, e a receita é compartilhada entre as 12 famílias de catadores e catadoras associadas, todas oriundas do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).


A secretária executiva da associação, Marleia Ribeiro, destaca a importância da premiação para valorizar o trabalho desenvolvido pelos catadores. “Isso dá visibilidade ao nosso trabalho e prova que estamos no caminho certo e de que vale muito a pena investir na reciclagem.”


Além de reduzir o volume de resíduos encaminhados ao aterro, o projeto associa a educação ambiental à geração de renda e à valorização do trabalho dos catadores.

Empresa: fibras naturais ganham nova aplicação industrial
Família que morreu em acidente na BR 101, em Jaguaré, foi velada e enterrada em Cariacica
Parceria entre a Associação de Artesanato de Mãe-Bá e a Samarco ganhou a categoria empresa  Crédito: Pedro Nunes 

Na categoria empresa, uma parceria entre a Samarco e a Associação de Artesanato de Mãe-Bá, em Anchieta, foi reconhecida pelo desenvolvimento de cordas de sinalização e isolamento produzidas a partir de fibras naturais de taboa, planta existente nas margens de lagoas, pântanos e áreas alagadas.


O projeto busca aproximar o conhecimento tradicional do artesanato das demandas do setor produtivo, ampliando as possibilidades de utilização de matérias-primas naturais em aplicações industriais.


Para isso, foi necessário adaptar técnicas artesanais às exigências de resistência, qualidade e segurança. O desenvolvimento também envolveu investimentos em infraestrutura, capacitação dos artesãos, equipamentos de apoio e validação técnica das cordas em ambiente operacional.


A proposta inclui ainda a estruturação da cadeia produtiva e a ampliação do acesso ao mercado, com o objetivo de transformar uma produção artesanal de pequena escala em uma solução sustentável utilizada nas operações da empresa. 


A iniciativa também busca ampliar a visibilidade do trabalho das artesãs e fortalecer a atividade como fonte de geração de renda.


“O Prêmio Biguá veio para mudar a realidade das pessoas que não apareciam. Hoje, o artesanato de Mãe-Bá é conhecido por meio dessa premiação. Este é o segundo Prêmio Biguá das artesãs. Fomos reconhecidas há cerca de quatro anos e, depois daquele prêmio, a visibilidade aumentou”, afirma Carmelita Furlan, representante da associação.

Poder público: educação para preservar a Mata Atlântica
Família que morreu em acidente na BR 101, em Jaguaré, foi velada e enterrada em Cariacica
Integrantes do projeto RegeneraKí, que promove educação ambiental em Cachoeiro e cidades vizinhas  Pedro Nunes

Na categoria poder público, o projeto RegeneraKí — Aprender com a Natureza para Cuidar do Futuro tem como objetivo promover a educação ambiental e a sensibilização das comunidades que integram o Corredor Ecológico Burarama-Pacotuba-Cafundó, reserva de Mata Atlântica localizada em Cachoeiro de Itapemirim.


A iniciativa também envolve estudantes da rede pública estadual de Cachoeiro e de municípios vizinhos, com atividades voltadas à valorização da biodiversidade da Mata Atlântica e à compreensão do papel das florestas na conservação ambiental.


O projeto busca fortalecer o protagonismo estudantil e ampliar o conhecimento sobre a importância da preservação dos ecossistemas, inclusive no enfrentamento das mudanças climáticas. 


O professor William Moreira da Costa destaca a importância da participação de diferentes setores nas ações de conservação ambiental e afirma que o reconhecimento incentiva a continuidade do trabalho.

A conservação ambiental é feita a muitas mãos. Ter essa valorização de quase nove meses de projeto é um incentivo para que a gente continue executando nossas atividades com qualidade.

William Moreira da Costa professor

Vencedores avançam para a etapa estadual

Os primeiros colocados nas cinco categorias regionais avançam para a etapa estadual do Prêmio Biguá. Nessa fase, os projetos serão submetidos à votação popular on-line, prevista para ocorrer entre os dias 30 de outubro e 10 de novembro, pelo site agazeta.com.br/premiobigua.


A votação amplia a visibilidade das iniciativas e permite que mais pessoas conheçam projetos que contribuem para a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável.


Ao reunir experiências de diferentes setores, o Prêmio Biguá busca incentivar práticas que possam ser adaptadas a outras realidades, mostrando que a conservação ambiental pode caminhar junto com a educação, a inovação, a geração de renda e o desenvolvimento econômico.

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