O mesmo acordo que foi responsável, em abril deste ano, por unificar os campos petrolíferos do Parque das Baleias e garantir cifras bilionárias para os cofres capixabas - algo na casa dos R$ 10 bilhões, considerando valores retroativos e os que devem chegar ao caixa em 20 anos - é também, em certa medida, o responsável por mudar o cronograma da Petrobras em relação a alguns investimentos da companhia para o Espírito Santo.
Há poucos dias, a estatal divulgou o seu plano estratégico para os próximos cinco anos. Nele, a empresa traz as principais diretrizes de negócios em diferentes áreas, com um planejamento para o período 2020-2024.
O documento aponta que o projeto Integrado Parque das Baleias, que previa a instalação de uma plataforma do tipo FPSO no Litoral Sul capixaba, foi adiado, passando de 2022 para 2023. A mudança em si não é uma grande surpresa, já que em outros momentos a Petrobras postergou a data do projeto. Mas, assim como nas ocasiões anteriores, traz preocupações relacionadas à queda de produção e, consequentemente, de receita.
Na primeira vez que a embarcação apareceu em um plano de negócios da petrolífera, o cronograma indicava que ela iniciaria a produção em 2021, mas essa data foi retardada para 2022, e agora novamente adiada, desta vez, com previsão da extração do primeiro óleo para 2023.
Ao ser questionada pela coluna sobre o motivo para a plataforma mais uma vez ter a sua instalação jogada para frente, a Petrobras limitou-se a dizer que o projeto “segue em fase de contratação, aguardando a assinatura do termo aditivo para extensão do contrato da concessão por parte da ANP”.
Ou seja, como a prorrogação contratual não foi aprovada até o momento, a Petrobras não se sente segura para bancar o investimento, que é na casa dos bilhões. É como se alguém morasse de aluguel, quisesse pintar o apartamento e colocar móveis planejados, mas sem saber até quando vai ter a garantia de morar naquele local.
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O que acontece com a Petrobras é parecido com a situação relatada acima, claro que em outra escala. Enquanto a companhia não tiver certeza que recebeu o aval legal para permanecer em determinada área petrolífera, ela não vê sentido investir recursos e esforços.
Para a extensão do prazo ser validada é preciso, segundo a ANP, de uma resposta da Advocacia Geral da União (AGU), que está analisando o rito processual para que o contrato, que acabaria em 2029, seja prorrogado para o novo campo de Jubarte por mais 27 anos.
Mas esse pode não ser o único motivo para a Petrobras colocar o Integrado Parque das Baleias em “banho-maria”. A falta de pressa pode estar ligada também ao fato de que a estatal não fica sem produzir por completo na área onde está prevista a instalação do projeto. Afinal, nessa mesma região já há extração de petróleo por meio do FPSO Capixaba, operado pela holandesa SBM. Assim, a Petrobras pode colocar seu dinheiro em outras áreas prioritárias, como as do pré-sal da Bacia de Santos, e investir mais para frente no Integrado Parque das Baleias.
Mas por que então ela não mantém o FPSO Capixaba? Pelo simples fato de que a embarcação já está há muitos anos operando, são cerca de 13 no litoral capixaba (em Golfinho e no Parque das Baleias) - sendo que o tempo médio de “vida” de uma plataforma é de 15 anos -, além do contrato com a SBM estar chegando ao fim.
Para a Petrobras, tirar essa embarcação - o que está programado para acontecer em 2022 - e colocar uma nova é questão de necessidade e segurança operacional. Já para o Estado, bom mesmo seria se o novo projeto se concretizasse o quanto antes