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Menos produção e receita

Por que mais uma vez Petrobras adiou investimento em plataforma no ES?

Instalação do chamado Integrado Parque das Baleias,  no Litoral Sul capixaba, ficou para 2023, segundo Plano estratégico da Petrobras

Publicado em 14 de Dezembro de 2019 às 04:00

Públicado em 

14 dez 2019 às 04:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Plataforma FPSO Capixaba opera no Parque das Baleias e tem previsão de deixar a região em 2022 Crédito: Petrobras/Divulgação
O mesmo acordo que foi responsável, em abril deste ano, por unificar os campos petrolíferos do Parque das Baleias e garantir cifras bilionárias para os cofres capixabas - algo na casa dos R$ 10 bilhões, considerando valores retroativos e os que devem chegar ao caixa em 20 anos - é também, em certa medida, o responsável por mudar o cronograma da Petrobras em relação a alguns investimentos da companhia para o Espírito Santo.
Há poucos dias, a estatal divulgou o seu plano estratégico para os próximos cinco anos. Nele, a empresa traz as principais diretrizes de negócios em diferentes áreas, com um planejamento para o período 2020-2024.
O documento aponta que o projeto Integrado Parque das Baleias, que previa a instalação de uma plataforma do tipo FPSO no Litoral Sul capixaba, foi adiado, passando de 2022 para 2023. A mudança em si não é uma grande surpresa, já que em outros momentos a Petrobras postergou a data do projeto. Mas, assim como nas ocasiões anteriores, traz preocupações relacionadas à queda de produção e, consequentemente, de receita.
Na primeira vez que a embarcação apareceu em um plano de negócios da petrolífera, o cronograma indicava que ela iniciaria a produção em 2021, mas essa data foi retardada para 2022, e agora novamente adiada, desta vez, com previsão da extração do primeiro óleo para 2023.
Ao ser questionada pela coluna sobre o motivo para a plataforma mais uma vez ter a sua instalação jogada para frente, a Petrobras limitou-se a dizer que o projeto “segue em fase de contratação, aguardando a assinatura do termo aditivo para extensão do contrato da concessão por parte da ANP”.
Ou seja, como a prorrogação contratual não foi aprovada até o momento, a Petrobras não se sente segura para bancar o investimento, que é na casa dos bilhões. É como se alguém morasse de aluguel, quisesse pintar o apartamento e colocar móveis planejados, mas sem saber até quando vai ter a garantia de morar naquele local.
O que acontece com a Petrobras é parecido com a situação relatada acima, claro que em outra escala. Enquanto a companhia não tiver certeza que recebeu o aval legal para permanecer em determinada área petrolífera, ela não vê sentido investir recursos e esforços.
Para a extensão do prazo ser validada é preciso, segundo a ANP, de uma resposta da Advocacia Geral da União (AGU), que está analisando o rito processual para que o contrato, que acabaria em 2029, seja prorrogado para o novo campo de Jubarte por mais 27 anos.
Mas esse pode não ser o único motivo para a Petrobras colocar o Integrado Parque das Baleias em “banho-maria”. A falta de pressa pode estar ligada também ao fato de que a estatal não fica sem produzir por completo na área onde está prevista a instalação do projeto. Afinal, nessa mesma região já há extração de petróleo por meio do FPSO Capixaba, operado pela holandesa SBM. Assim, a Petrobras pode colocar seu dinheiro em outras áreas prioritárias, como as do pré-sal da Bacia de Santos, e investir mais para frente no Integrado Parque das Baleias.
Mas por que então ela não mantém o FPSO Capixaba? Pelo simples fato de que a embarcação já está há muitos anos operando, são cerca de 13 no litoral capixaba (em Golfinho e no Parque das Baleias) - sendo que o tempo médio de “vida” de uma plataforma é de 15 anos -, além do contrato com a SBM estar chegando ao fim.
Para a Petrobras, tirar essa embarcação - o que está programado para acontecer em 2022 - e colocar uma nova é questão de necessidade e segurança operacional. Já para o Estado, bom mesmo seria se o novo projeto se concretizasse o quanto antes

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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