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Violência

Cabo da PM vira réu por matar a tiros casal de mulheres no meio da rua em Cariacica

Daniele Toneto, 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, 31, foram mortas à queima-roupa em abril pelo cabo Luiz Gustavo Xavier do Valem. Outros policiais que viram o crime e não fizeram nada já são réus

Publicado em 26 de Setembro de 2026 às 13:12

Da Redação*

Publicado em 

26 set 2026 às 13:12
À esquerda, Francisca Chaguiana Dias Viana. De óculos, Daniele Toneto. Mulheres foram mortas por PM em Cariacica
Francisca Chaguiana Dias Viana e Daniele Toneto foram mortas por PM em Cariacica Redes sociais

O cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale se tornou réu pelo assassinato de um casal de mulheres em Cariacica, na Grande Vitória. A Justiça do Espírito Santo recebeu a denúncia feita pelo Ministério Público (MPES), que acusa o policial de dois homicídios qualificados. A prisão preventiva dele foi mantida.


As vítimas, Daniele Toneto Rocha, de 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, de 31, foram mortas a tiros no dia 8 de abril, no bairro Cruzeiro do Sul. O cabo está preso desde o crime.


Segundo o MPES, os homicídios foram praticados por motivo fútil, com perigo comum e com recurso que dificultou a defesa das vítimas. A Promotoria também aponta abuso de poder, alegando que o policial utilizou as prerrogativas e a autoridade da função de policial militar, além de uma viatura e armamento da corporação.


A denúncia foi recebida pela Justiça, que também acolheu o pedido do MPES para manter a prisão preventiva do cabo. O processo segue o rito previsto para crimes dolosos contra a vida.


O cabo Vale também já responde a um processo por envolvimento na morte de uma mulher trans ocorrida em julho de 2022, no mesmo município.

Cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, réu pelo assassinato de duas mulheres em Cariacica
Cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, réu pelo assassinato de duas mulheres em Cariacica Reprodução
O crime

Daniele e Francisca eram vizinhas da ex-mulher do policial. As três haviam se envolvido em um desentendimento pouco antes do crime.


Testemunhas contaram que as duas vítimas e a ex-esposa do policial moravam em andares diferentes. Segundo moradores, a ex-companheira do agente foi ameaçada pelo casal horas antes do crime.


Ainda de acordo com testemunhas, a discussão começou por causa de um ar-condicionado. As mulheres trocavam acusações sobre um possível furto de energia, apesar de residirem em andares distintos.


Na manhã do dia 8 de abril, elas voltaram a discutir, e as vítimas teriam mencionado o filho que a ex-esposa tem com o PM. A ex-mulher do policial, que não quis se identificar, deu entrevista na época e apresentou a versão dela sobre o que aconteceu.

"Elas testaram o meu limite, falando do meu filho de 8 anos, autista. Falaram que ele não seria autista, p**** nenhuma, porque ele estava jogando bola até altas horas da noite. Eu desci com uma faca. Nisso, juntaram as duas em cima de mim, me jogaram no muro, me bateram, puxaram o meu cabelo, quebraram a minha unha. A vizinha de baixo conseguiu separar a briga", disse a ex-esposa do PM.


"Eu falei que não ia mais agir com as minhas mãos. Liguei para o meu ex-marido e pedi duas viaturas, porque elas estavam me agredindo e agredindo o nosso filho, que estava chorando dentro de casa. Então, ele veio", contou a ex do cabo.

Segundo a mulher, foi nesse momento que ela decidiu ligar para o cabo. O policial, que estava em serviço administrativo, foi até o endereço acompanhado de outros militares.


Câmeras de segurança registraram a chegada da viatura e os disparos contra as vítimas. Daniele morreu no local. Francisca chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.

Após os disparos, Luiz Gustavo foi preso.

Outros sete PMs viram réus

O caso também resultou em uma denúncia contra outros sete policiais militares que estavam na ocorrência. A Justiça Militar recebeu a denúncia em agosto e os agentes se tornaram réus por supostamente descumprirem normas durante a atuação no local.


Segundo o MPES, a responsabilidade desses sete policiais pelos homicídios é apurada separadamente. Dois deles também respondem por abandono de posto. Os policiais viram o cabo atirar nas mulheres e não fizeram nada.


Os sete militares são: Hildebrando da Silva Santos, Edson Luiz da Silva Verona, Filipe Gonçalves Vieira, Lucas Nogueira Oliveira, Valfril do Carmo Carreiro, Hilário Antônio Nunes Loureiro Júnior e Eduardo Ferro Coradini.

De acordo com a Corregedoria da Polícia Militar, os policiais permaneceram afastados das ruas e passaram a desempenhar funções administrativas.


De acordo com a decisão, a qual o g1 teve acesso, os agentes irão responder por inobservância à conduta esperada e dois deles irão responder, também, por abandono de posto. Eles viram a ação do colega de farda e não fizeram nada para impedir.


Com informações do g1 ES.

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