O cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale se tornou réu pelo assassinato de um casal de mulheres em Cariacica, na Grande Vitória. A Justiça do Espírito Santo recebeu a denúncia feita pelo Ministério Público (MPES), que acusa o policial de dois homicídios qualificados. A prisão preventiva dele foi mantida.
As vítimas, Daniele Toneto Rocha, de 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, de 31, foram mortas a tiros no dia 8 de abril, no bairro Cruzeiro do Sul. O cabo está preso desde o crime.
Segundo o MPES, os homicídios foram praticados por motivo fútil, com perigo comum e com recurso que dificultou a defesa das vítimas. A Promotoria também aponta abuso de poder, alegando que o policial utilizou as prerrogativas e a autoridade da função de policial militar, além de uma viatura e armamento da corporação.
A denúncia foi recebida pela Justiça, que também acolheu o pedido do MPES para manter a prisão preventiva do cabo. O processo segue o rito previsto para crimes dolosos contra a vida.
O cabo Vale também já responde a um processo por envolvimento na morte de uma mulher trans ocorrida em julho de 2022, no mesmo município.
Daniele e Francisca eram vizinhas da ex-mulher do policial. As três haviam se envolvido em um desentendimento pouco antes do crime.
Testemunhas contaram que as duas vítimas e a ex-esposa do policial moravam em andares diferentes. Segundo moradores, a ex-companheira do agente foi ameaçada pelo casal horas antes do crime.
Ainda de acordo com testemunhas, a discussão começou por causa de um ar-condicionado. As mulheres trocavam acusações sobre um possível furto de energia, apesar de residirem em andares distintos.
Na manhã do dia 8 de abril, elas voltaram a discutir, e as vítimas teriam mencionado o filho que a ex-esposa tem com o PM. A ex-mulher do policial, que não quis se identificar, deu entrevista na época e apresentou a versão dela sobre o que aconteceu.
"Elas testaram o meu limite, falando do meu filho de 8 anos, autista. Falaram que ele não seria autista, p**** nenhuma, porque ele estava jogando bola até altas horas da noite. Eu desci com uma faca. Nisso, juntaram as duas em cima de mim, me jogaram no muro, me bateram, puxaram o meu cabelo, quebraram a minha unha. A vizinha de baixo conseguiu separar a briga", disse a ex-esposa do PM.
"Eu falei que não ia mais agir com as minhas mãos. Liguei para o meu ex-marido e pedi duas viaturas, porque elas estavam me agredindo e agredindo o nosso filho, que estava chorando dentro de casa. Então, ele veio", contou a ex do cabo.
Segundo a mulher, foi nesse momento que ela decidiu ligar para o cabo. O policial, que estava em serviço administrativo, foi até o endereço acompanhado de outros militares.
Câmeras de segurança registraram a chegada da viatura e os disparos contra as vítimas. Daniele morreu no local. Francisca chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
Após os disparos, Luiz Gustavo foi preso.
O caso também resultou em uma denúncia contra outros sete policiais militares que estavam na ocorrência. A Justiça Militar recebeu a denúncia em agosto e os agentes se tornaram réus por supostamente descumprirem normas durante a atuação no local.
Segundo o MPES, a responsabilidade desses sete policiais pelos homicídios é apurada separadamente. Dois deles também respondem por abandono de posto. Os policiais viram o cabo atirar nas mulheres e não fizeram nada.
Os sete militares são: Hildebrando da Silva Santos, Edson Luiz da Silva Verona, Filipe Gonçalves Vieira, Lucas Nogueira Oliveira, Valfril do Carmo Carreiro, Hilário Antônio Nunes Loureiro Júnior e Eduardo Ferro Coradini.
De acordo com a Corregedoria da Polícia Militar, os policiais permaneceram afastados das ruas e passaram a desempenhar funções administrativas.
De acordo com a decisão, a qual o g1 teve acesso, os agentes irão responder por inobservância à conduta esperada e dois deles irão responder, também, por abandono de posto. Eles viram a ação do colega de farda e não fizeram nada para impedir.
Com informações do g1 ES.
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