Publicado em 31 de julho de 2021 às 09:01
"O coronavírus está se espalhando a uma velocidade sem precedentes." Foi com essas palavras que o primeiro-ministro japonês Yoshihide Suga justificou nesta sexta-feira o seu apelo à população do país para que fique em casa durante as férias de verão o máximo possível e assista aos Jogos Olímpicos pela televisão, sem promover aglomerações em bares e restaurantes para acompanhar o evento.>
O número diário de casos de covid-19 no Japão chegou a 10.743 na sexta-feira, um recorde desde o início da pandemia. A escalada do vírus no país fez o governo ampliar o estado de emergência para três prefeituras vizinhas de Tóquio e Osaka até o final de agosto.>
Apesar de os casos de covid-19 de pessoas envolvidas na Olimpíada não entrarem na contabilidade dos dados anunciados pelo governo, japonês, os Jogos também enfrentam um aumento de infectados. O Comitê Organizador confirmou nesta sexta-feira mais 27 casos, maior número diário desde o início dos testes, em 1.º de julho. Assim, o total acumulado subiu para 225 casos.>
Diante da forte rejeição que os Jogos têm enfrentado de boa parte da população japonesa, Richard Budgett, diretor médico do COI (Comitê Olímpico Internacional), negou qualquer conexão entre o evento realizado na capital japonesa e o aumento de casos de covid-19 no país. "Os atletas da Vila Olímpica vivem em um mundo paralelo. Pelo que eu sei, não houve um único caso de caso de atleta se espalhando para a população local, e nem um único caso grave ocorreu entre os nossos membros", disse. Até a última quarta-feira, 39.853 estrangeiros entraram no Japão para participar dos Jogos, incluindo atletas, membros de comissão técnica, dirigentes e jornalistas.>
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Os Jogos Olímpicos têm sido disputados sem torcida e sob um rígido protocolo de combate à covid-19. Todos os envolvidos no evento têm de ser testados constantemente, há aferição de temperatura na entrada de cada arena, além do uso de barreiras físicas para evitar o contato físico com pessoas de fora da "bolha".>
A única exceção aberta pelo Comitê Organizador foi permitir que os atletas pudessem remover as máscaras no pódio por no máximo 30 segundos para posarem para os fotógrafos. Mas, tudo é cronometrado e coordenado. Um funcionário levanta uma placa anunciando o momento em que a máscara pode ser retirada e, passados os 30 segundos, exibe outro alerta de que o nariz e a boca devem ser cobertos novamente.>
"Não é que é bom usar máscara. É obrigatório usar máscara", disse o porta-voz do COI, Mark Adams. "Não há relaxamento e pedimos a todos que obedeçam as regras. É importante para o esporte, para todos os envolvidos, para os nossos amigos japoneses e transmite uma mensagem forte.">
No vôlei brasileiro, a levantadora Macris e o central Lucão têm atuado na Olimpíada de máscara mesmo que o uso do equipamento esteja liberado dentro de quadra. Ambos, inclusive, já usavam a proteção durante as partidas antes dos Jogos.>
Mas, há também casos flagrantes de descumprimento dos protocolos. O nadador americano Michael Andrew, de 22 anos, se recusou a colocar a máscara quando estava na zona mista para dar entrevista aos jornalistas. O Comitê Olímpico dos EUA anunciou que analisa o caso e que tomará as medidas necessárias.>
Na cerimônia de abertura, por exemplo, vários integrantes das comissões dos países desfilaram sem máscara ou com a proteção no queixo ou com o nariz de fora. Além de não manterem o distanciamento.>
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