O Espírito Santo é um Estado com um pujante comércio exterior, possuindo uma das maiores taxas de abertura comercial do país. A
cafeicultura, iniciada aqui na década de 1850, foi a atividade econômica que o inseriu na economia global, exigindo a construção de uma infraestrutura logística constituída de estradas, ferrovias e portos, a fim de possibilitar que a produção capixaba e dos territórios vizinhos fosse exportada para outros países.
Com o desenvolvimento da indústria de base no Espírito Santo na década de 1970, o Estado se consolidou como grande exportador de
commodities e produtos semi-manufaturados, o que ocorreu de forma atrelada à ampliação da sua infraestrutura logística. Logo, o ES se posicionou como um entreposto logístico para escoar a produção de inúmeros setores econômicos instalados em território capixaba e em outras regiões do país. Em 2018, as exportações do Estado corresponderam a 3,7% das exportações brasileiras.
Contudo, a pauta de exportações capixaba ainda é composta majoritariamente por produtos de baixo valor agregado produzidos por grandes conglomerados de empresas multinacionais. Em 2018, os produtos mais exportados pelo ES foram minério de ferro e seus concentrados (33%), produtos manufaturados de ferro ou aço (15%) e óleos brutos de petróleo (11%).
Apesar do intenso comércio exterior e de razoável infraestrutura logística disponível, parcela reduzida das empresas capixabas de outros segmentos exporta a sua produção para o mundo. A exportação cria vantagens para as empresas ao permitir (I) a diversificação de mercados atendidos e a consequente redução da dependência do mercado interno; (II) amplia a produtividade, devido ao aumento da produção, ganhos de escala e redução de custos; (III) enseja a melhoria dos produtos, uma vez que as exigências internacionais devem ser atendidas, o que aumenta a competitividade das firmas; (IV) promove o crescimento das empresas, que se reflete no desenvolvimento da economia local.
Em 2017, foi implantado o PEIEX-ES, desenvolvido em conjunto com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), com o intuito de capacitar empresas capixabas para exportarem. É patente que o novo plano de desenvolvimento para o Espírito Santo deve visar à internacionalização das empresas capixabas.
Uma das alternativas é a criação de um novo programa que permita a ampliação da quantidade de empresas com inserção no mercado externo, objetivando tornar as empresas capixabas aptas a atuar em mercados internacionais variados e de forma sustentada, possibilitando o crescimento de sua produção e a redução da dependência econômica do mercado interno. É essencial que se crie um ambiente de negócios propício ao desenvolvimento das relações comerciais internacionais no Espírito Santo, racionalizando as exigências do governo para a evolução dos negócios com outros países.
O Estado pode ainda auxiliar as empresas na identificação de oportunidades de negócios no exterior, promovendo o contato com propensos parceiros comerciais internacionais e com as autoridades governamentais de outras nações, além de assistir às firmas capixabas na adequação técnica e regulatória de seus produtos e serviços para acessar tais mercados, e na manutenção das relações comerciais firmadas. A criação de novas
Zonas de Processamento de Exportações (ZPE) no ES também pode ser pleiteada pelo governo capixaba. Essas áreas especiais beneficiam empresas já exportadoras e podem atrair e estimular empresas capixabas a exportarem parcela da sua produção.
O auxílio do Estado para tornar as empresas capixabas preparadas para atender ao mercado externo poderá contribuir para a expansão e fortalecimento das atividades produtivas no Espírito Santo e, consequentemente, para o seu desenvolvimento sustentado.