Sair
Assine
Entrar

Beatriz Seixas

Economia do ES cresceu, mas ainda não reagiu

No ano, PIB capixaba avançou apenas 0,2%

Publicado em 19 de Setembro de 2019 às 20:32

Públicado em 

19 set 2019 às 20:32
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Crescimento do PIB ainda é tímido no ES Crédito: Pixabay
Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo divulgados na última quarta-feira pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) podem ser vistos sob algumas óticas. Na coluna de hoje, vou chamar atenção para três: a frustração do ritmo de crescimento, a indústria como a principal vilã dos resultados e o fôlego vindo das famílias.
Ritmo
Ainda que o PIB tenha crescido 2,5% no segundo trimestre de 2019 na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o acumulado do ano mostra que a economia capixaba continua apática. De janeiro a junho, houve um avanço de tímidos 0,2%, contra 0,7% registrado no país no mesmo período. Ou seja, crescemos, mas não reagimos de forma consistente.
O que acontece com o Espírito Santo, entretanto, não é nada fora da curva dado o cenário nacional, que continua sem fôlego para recuperar o crescimento. Mas aqui ainda há o agravante de sermos um Estado com forte abertura para o comércio exterior e, diante da desaceleração da economia mundial, esse é um fator que pesa. Não é à toa que, no segundo trimestre, as exportações capixabas recuaram 10,1% em relação aos três primeiros meses do ano.
Por mais que alguns sinais positivos já apareçam na economia brasileira, como o encaminhamento da reforma da Previdência, a liberação de recursos do FGTS e a MP da Liberdade Econômica, eles não foram suficientes até aqui para resgatar o crescimento e a confiança das empresas de tirarem os investimentos do papel.
Tanto é que a previsão do PIB nacional, feita por analistas no Boletim Focus para o encerramento deste ano, está em 0,83%, bem abaixo dos 2,53% projetado pelo mercado em janeiro. No Espírito Santo, inicialmente havia uma perspectiva de alta no mesmo patamar do percentual registrado em 2018, de 2,4%, ou até um pouco acima disso. Mas diante dos números divulgados até o momento, a previsão feita pelo Santander – de crescimento de 1,8% em 2019 – pode sequer ser alcançada.
Como observou o presidente do IJSN, Luiz Paulo Vellozo Lucas, durante a apresentação dos dados do PIB, a recuperação vem sendo lenta e, por mais otimismo que se possa ter, as incertezas políticas continuam presentes e persistentes no país.
Âncora
O desempenho ruim da indústria no primeiro semestre deste ano tem sido o principal responsável por segurar o avanço do PIB. Depois de cair 10,1% no primeiro trimestre, esse segmento voltou a performar negativamente de abril a junho, com recuo de 7,3%, em ambos os casos em relação ao trimestre anterior.
A indústria extrativa, em especial, não vai bem. Petróleo, celulose e mineração, que têm forte peso na economia capixaba, amargam redução na produção e, no caso da celulose, ainda há a queda do preço da commodity no mercado internacional. Nas áreas de mineração e siderurgia, paradas programadas nas plantas industriais foram o motivo principal para o resultado.
O ponto negativo é que no curto prazo não há perspectiva de uma grande reversão deste cenário. Em 2019, ainda não veremos a produção de petróleo e gás aumentar nem novos players começarem a produzir. Por mais que esse mercado esteja se abrindo e atraindo novos negócios, ele tem uma maturação de médio e longo prazos.
No segmento de papel e celulose, ainda não está muita clara qual será a política e a estratégia que a Suzano vai adotar no Estado. Desde a compra da Fibria, a empresa pouco falou sobre a unidade de Aracruz. O que se sabe é que a produção caiu significativamente e que a companhia também enfrenta a escassez de oferta de eucalipto, o que acaba aumentando o seu custo de produção na planta capixaba.
Força
Por outro lado, o fôlego vem das famílias. Mesmo que o nível de emprego e a capacidade de consumo ainda estejam bem abaixo do desejado, a geração de postos de trabalho formal, o aumento da renda, a maior capacidade de compra e a redução na taxa de inadimplência ajudaram a economia capixaba a sair do vermelho, condição que registrou nos trimestres passados. Dessa forma, comércio e serviços tiveram boas atuações, com altas de 2,3% e 0,9%, respectivamente. O sinal que vem desses setores é positivo, mas ainda insuficiente para transmitir a confiança de que a economia capixaba caminha para um crescimento sólido.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Vinhedo extenso com fileiras alinhadas de videiras verdes em primeiro plano. Ao fundo, edifícios brancos com telhados vermelhos cercados por árvores sob céu azul claro
Vinho português pode ultrapassar argentino com queda de imposto no Brasil
Imagem de destaque
8 receitas econômicas e deliciosas com frutos do mar
Imagem de destaque
Comendo chocolate e mastigando gelo: o guia dado como morto no Everest contou à BBC como sobreviveu

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados