Publicado em 1 de março de 2022 às 08:47
O sexto dia da invasão russa da Ucrânia começou sob relativa calma na capital Kiev, mas o centro de Kharkiv, segunda maior cidade do país, foi bombardeado por Moscou na manhã desta terça-feira (1º). O governante da região, Oleg Sinegubov, relatou que mísseis Grad e de cruzeiro atingiram áreas residenciais e o prédio oficial do governo, mas afirmou que a cidade segue resistindo. "Tais ataques são um genocídio do povo ucraniano, um crime de guerra contra a população civil", disse Sinegubov.>
Na mesma toada, o presidente do país, Volodimir Zelenski, classificou os ataques de "terrorismo de Estado" cometido pela Rússia. O Ministério das Relações Exteriores da Índia afirmou que um estudante do país foi morto no ataque. Não há informações e detalhes sobre mais vítimas.>
Já a capital teve uma noite pacífica, apesar da ameaça de um comboio russo de 64 km que já está a cerca de 25 km a noroeste da capital, segundo imagens de satélite. Em mensagem no Telegram, a Prefeitura de Kiev relatou uma noite foi tranquila, apesar de conflitos entre o que chamou de "terroristas e sabotadores".>
O governo municipal também afirmou que estão sendo montadas estruturas de proteção nas entradas da cidade e reforçou o pedido para que moradores não deixem suas casas nem se desloquem desnecessariamente. A partir desta terça, a venda de bebidas alcoólicas está proibida.>
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Há, na mídia local, porém, relatos de explosões nos arredores. O diretor da maternidade Adonis, em Buzova, a leste da capital, publicou no Facebook que uma granada atingiu o local, que foi esvaziado. Apesar do estrago, Vitalii Girin, chefe do hospital, diz não ter havido vítimas e que o edifício segue em pé.>
Em Borodianka, a noroeste de Kiev, o centro de reabilitação do Ministério dos Assuntos dos Veteranos da Ucrânia foi bombardeado, segundo relatou a ministra da pasta, Iulia Laputina, em vídeo. "É um ato de violação do direito internacional humanitário, um ato de violência que será punido", afirmou. A cidade tem sido ocupada por tanques russos, que começaram a destruir infraestruturas e moradias na cidade, segundo o jornal Pravda.>
O Exército ucraniano alertou no Facebook que, nas últimas 24 horas, as forças russas acumularam blindados e artilharia para "rodear e tomar o controle de Kiev e outras grandes cidades". Mariupol, por exemplo, está sob constante bombardeio, segundo o prefeito, e há tropas nos arredores de Kherson, próximo à península da Crimeia, no sul da Ucrânia.>
O prefeito da cidade, Igor Kolikhaiev, publicou na madrugada desta terça que é difícil prever como a situação irá evoluir, mas que "Kherson é e continuará sendo ucraniana". Nas redes sociais, incluindo alguns perfis da mídia local, vídeos mostravam as forças russas entrando na cidade de 290 mil habitantes.>
A inteligência britânica, por outro lado, diz que o avanço na capital progrediu pouco nessas últimas 24 horas devido a dificuldades logísticas. Ao mesmo tempo, o boletim do Ministério da Defesa relata o aumento do uso de artilharia no norte de Kiev e na região de Kharkiv e Chernihiv.>
O conselheiro do presidente Volodimir Zelenski afirmou, nesta terça, que a Rússia está bombardeando ativamente os centros das cidades, lançando mísseis e ataques de artilharia diretamente em áreas residenciais e locais do governo. "O objetivo é claro: pânico em massa, vítimas civis e danos na infraestrutura", disse Mikhailo Podoliak. Outro conselheiro, Oleksii Arestovich, disse que as forças russas tentam formar um cerco em Kiev e Kharkiv.>
Para o ministro da Defesa ucraniano, Oleksii Reznikov, o bombardeio de regiões pacíficas "é a prova de que eles são incapazes de lutar mais com ucranianos armados", afirmou em publicação no Facebook.>
Com um tom de vitorioso, começa dizendo que no quinto dia de intervenção, esta segunda (28), os russos "revelaram-se incapazes de esconder que sua agonia começa". Também ressalta que na parte econômica, Moscou também já sofreu "uma destruição devastadora". Sancionado pelos britânicos, o Banco Central do país disse que a situação é dramática e tenta evitar asfixia e quebras financeiras.>
Pelo lado ucraniano, mais de 70 militares foram mortos nesta segunda em um bombardeio em Okhtirka, no nordeste do país, segundo o governante da região, Dmitro Zhivitskii. Entre civis, o governo afirma que 350 já foram mortos, entre eles 14 crianças. A ONU confirmou 102 óbitos e 304 feridos, além de mais de meio milhão de refugiados, apesar de reconhecer que os números podem ser maiores.>
Reznikov afirma ainda que o fornecimento de armas dos europeus está aumentando. Segundo a Força Aérea do país, 70 caças da União Europeia devem chegar nesta terça, provenientes de Bulgária, Polônia e Eslováquia. A Austrália também prometeu mísseis antiblindados.>
O clima de tensão segue enquanto há a expectativa para uma segunda rodada de negociações, após a primeira nesta segunda acabar sem avanços claros. Os representantes dos dois países concordaram em voltar às suas capitais para discutir pontos da conversa e devem marcar uma segunda rodada de reuniões, informou a agência estatal russa RIA, citando um funcionário do governo ucraniano.>
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