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Votação

Ausência da oposição e alta abstenção marcam eleição legislativa na Venezuela

Observadores ligados à oposição afirmaram que o comparecimento ficou abaixo de 10%. No início da noite, a ausência de eleitores fez o governo atrasar em uma hora o fechamento das urnas

Publicado em 07 de Dezembro de 2020 às 11:21

Redação de A Gazeta

Publicado em 

07 dez 2020 às 11:21
Um homem dá seu voto em uma assembleia de voto durante as eleições parlamentares em Caracas, Venezuela
Um homem dá seu voto em uma assembleia de voto durante as eleições parlamentares em Caracas, Venezuela Crédito: Reuters/Folhapress
Em uma eleição legislativa com pouca margem para surpresa, já que a maior parte da oposição boicotou o processo, o que chamou atenção neste domingo (6), na Venezuela foi a alta abstenção, uma mistura de desânimo e protesto silencioso contra o governo de Nicolás Maduro. Em Caracas, as filas para colocar gasolina eram maiores que a de eleitores nos centros de votação, o que abriu caminho para que o chavismo retomasse o controle do Parlamento.
Durante todo o dia, os centros eleitorais de todo o país ficaram vazios. Maduro, que tem alta rejeição, transferiu o domicílio eleitoral para Forte Tiúna, em vez de votar em um bairro popular de Caracas, como aconteceu em anos anteriores. "A quantas anda a fraude de Maduro", tuitou o líder opositor Juan Guaidó, postando uma imagem de uma seção eleitoral vazia. "Fracasso."
Observadores ligados à oposição afirmaram que o comparecimento ficou abaixo de 10%. No início da noite, a ausência de eleitores fez o governo atrasar em uma hora o fechamento das urnas. "Decidimos manter as os centros de votação abertos em razão das filas", justificou Leonardo Morales, vice-presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE).
O governo exaltou a votação como a "festa eleitoral" que marca uma virada na política venezuelana. A Assembleia Nacional vinha sendo controlada pela oposição, que surpreendeu o chavismo, em 2015, ao eleger a maioria dos deputados. Para não conviver com um Legislativo antagonista, Maduro criou uma Assembleia Constituinte, dominada pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) - que deverá ser extinta assim que os novos deputados assumirem, no dia 5 de janeiro.
"Tivemos paciência e sabedoria para esperar o dia de tirar das nossas costas esta Assembleia Nacional nefasta, que trouxe a praga das sanções e do sofrimento", disse Maduro, após votar em Forte Tiúna.
Com o controle do Parlamento, Maduro ganha poder internacional para captar investimentos e tentar tirar o país da crise. O economista Victor Álvarez, ex-ministro de Indústrias do governo de Hugo Chávez, acredita que a nova Assembleia "muda o marco legal". "É o primeiro passo para que as novas leis aprovadas tenham reconhecimento internacional", afirmou.
Álvarez avalia que "um Estado sem os recursos da estatal petrolífera PDVSA e sem fundos para levantar a produção e reativar a economia deve se abrir a investimentos privados". De acordo com ele, a participação privada poderia incentivar privatizações na Bacia do Orinoco e em empresas que exploram outros recursos naturais, como ferro, ouro e diamantes.
O analista Dimitris Pantoulas acredita que a eleição de hoje encerrou ciclos importantes. "Um deles foi a derrota do chavismo, em 2015. O outro é o de Juan Guaidó, quando a oposição tinha legitimidade e reconhecimento internacional", afirmou. Apesar da desconfiança de EUA e Europa, segundo Pantoulas, "Maduro passa a ter muito mais poder" com a legalidade da nova Assembleia.
"A dinastia de Maduro, com seu filho Nicolasito (Nicolás Maduro Guerra) e a mulher Cília Flores, reforça a figura presidencial. Com isso, os EUA têm de negociar diretamente com ele, e não através de terceiros. É provável que a relação com Washington, nos próximos anos, seja mais horizontal", disse. 

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