De 2020 a 2025, a inflação dos carros usados aumentou mais do que a dos modelos novos no Brasil, segundo dados do IBV Auto, índice que mede a variação dos preços dos automóveis leves usados no país. Os preços dos veículos 0km cresceram em 51,5%, enquanto os usados tiveram uma alta de 83% neste período.
Entre as razões por trás dessa disparidade está a menor procura por veículos novos desde a pandemia de Covid-19, que ocorreu simultaneamente ao aumento no interesse por seminovos e usados. Com a produção em queda, devido ao fechamento das fábricas, e a falta de componentes, as filas de espera nas concessionárias cresceram, causando um aumento dos preços e voltando o olhar do consumidor para os usados e seminovos.
Esse processo se estendeu para além da pandemia e, nos anos seguintes, as vendas de carros usados cresceram significativamente, aumentando 40% desde 2020 e alcançando quase 18 milhões de unidades em 2025, segundo a Fenauto. Com isso, houve uma valorização recorde desses veículos.
“O movimento inflacionário que atingiu o preço dos zero-quilômetro provocou uma mudança no perfil de compra do consumidor médio, já que a alta não foi acompanhada por um aumento proporcional da renda, fazendo com que cada vez mais pessoas optassem por veículos mais antigos”, explica o vice-presidente de Varejo do banco BV, Jamil Ganan.
Entre os modelos com maiores variações nos últimos anos, estão o Renault Clio (57,8%), Renault Logan (49,9%) e Ford Focus (44,9%). Na outra ponta, com menor variação positiva no período, ficou o Jeep Renegade, com alta de 1,2%. Tiveram queda de preço o Volkswagen Nivus (-3,5%) e o Volkswagen T Cross (-5,4%).