O sonho de muitos brasileiros é ter um automóvel na garagem. Adicione a isso o atual momento do setor de emplacamentos de veículos, que tem apresentado resultados crescentes. Segundo a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), as vendas de veículos seminovos e usados em 2025 já superaram todo o volume registrado em 2024, com crescimento superior a 17%, caminhando para um novo recorde histórico, com cerca de 18 milhões de unidades comercializadas no ano.
Mas além da vontade se realizar o sonho, muitos brasileiros se veem perdidos na hora de dar o passo e comprar o carro, seja pela falta de instrução, seja por ansiedade de completar o sonho, seja por medo de se arrepender da compra. Para Alan Ladeia, especialista no setor automotivo e CEO da Carflix, o consumidor precisa adotar uma postura mais racional na hora da compra.
“O erro mais comum é escolher o carro apenas pelo visual ou pelo desejo do momento. Um bom negócio começa pela análise técnica: motor, quilometragem, histórico e custo de manutenção. Esses fatores impactam diretamente no bolso ao longo dos anos”, explica o especialista.
Pensando nisso, A Gazeta Motor separou as principais dicas que podem te ajudar a comprar o carro novo ou seminovo da forma certa:
1 - Carro novo ou seminovo?
Uma dúvida importante é a escolha entre um carro seminovo ou 0 km. Neste caso, os dois apresentam benefícios, principalmente olhando a alta dos preços e a desconfiança da falta de histórico. Segundo o consultor automotivo Gabriel de Oliveira a escolha depende do perfil e do objetivo do comprador.
“Há consumidores que preferem o carro zero quilômetro por saberem que foram os únicos donos, tendo mais segurança quanto à procedência. Por outro lado, o seminovo ou usado pode ser financeiramente mais vantajoso, já que o carro passa pela maior desvalorização nos primeiros anos. Em muitos casos, isso torna o custo-benefício melhor. No fim, a escolha ideal vai variar de acordo com as prioridades de cada comprador ", explica.
2 - Manutenção e documentação devem ser prioridade
Para quem opta por um carro seminovo ou usado, a atenção precisa ser redobrada, principalmente em relação à manutenção e à situação documental do veículo. De acordo com Gabriel de Oliveira, esses são os dois primeiros pontos que devem ser analisados antes de qualquer negociação avançar.
“O consumidor precisa verificar se o carro tem histórico de revisões, se as manutenções foram feitas corretamente e, principalmente, se há comprovação por meio de notas de serviço, com data, quilometragem e o que foi realizado. Não basta apenas ter carimbo no manual”, explica.
Além disso, a consulta da documentação é indispensável. Segundo o especialista, é fundamental checar se o veículo possui multas, impostos atrasados, bloqueios judiciais ou qualquer tipo de restrição que possa gerar dor de cabeça após a compra.
No caso de um carro zero quilômetro, é importante avaliar se os preços das manutenções preventivas cabem no seu bolso.
3 - Vícios ocultos exigem ajuda profissional
Nem todos os problemas de um carro usado são visíveis a olho nu. Questões como quilometragem adulterada, problemas mecânicos escondidos ou até danos estruturais costumam escapar da análise do consumidor comum.
“Existem situações que fogem totalmente da capacidade do comprador identificar sozinho. Por isso, quem vai comprar um carro usado ou seminovo precisa contar com o auxílio de um profissional”, orienta.
A recomendação é levar o veículo a um mecânico de confiança, realizar uma vistoria completa, colocar o carro no elevador e usar equipamentos de diagnóstico. Em alguns casos, contratar uma consultoria automotiva pode ser decisivo para evitar prejuízos futuros.
Os modelos zero quilômetro não estão isentos de ter algum vício oculto, mesmo saídos de fábrica. Para isso, veja a garantia e também fique atento às chamadas de recall, caso o modelo já tenha sido adquirido. Se você ainda não comprou o carro, pesquise em sites especializados sobre principais problemas e defeitos antes de fazer a decisão por determinado modelo.
4 - Atento aos golpes mais comuns
Mesmo com mais informação disponível, alguns golpes seguem recorrentes no mercado de carros usados. O principal deles continua sendo a adulteração de quilometragem, segundo Gabriel.
“Estima-se que cerca de 30% dos carros usados e seminovos à venda tenham quilometragem adulterada. Esse é, disparado, o golpe mais comum”, alerta.
Além disso, há veículos vendidos com manutenções apenas paliativas, feitas para mascarar problemas graves, e casos de carros que já sofreram batidas ou passaram por enchentes. Por isso, a verificação técnica e documental se torna ainda mais importante.
5 - Planejar para o sonho não virar dor de cabeça
Quando o assunto é carro novo, os cuidados não se limitam à escolha do modelo. O planejamento financeiro é essencial para evitar que o sonho vire problema. O especialista destaca que o consumidor precisa avaliar se o carro realmente atende às suas necessidades antes de fechar negócio.
“É importante testar o carro, verificar se ele cabe na garagem, analisar o consumo e o custo de manutenção para ver se estão dentro do que a pessoa pode pagar. Existem outros gastos além do preço final do carro, e eles devem entrar na conta também”, afirma.
No caso de financiamento, o especialista recomenda que a parcela não comprometa mais de 25% da renda mensal. Além disso, é preciso lembrar que o custo do carro vai além da prestação, incluindo impostos, manutenção e despesas recorrentes.
Carro zero também exige pesquisa
Apesar da ideia de que carro novo não dá problema, Gabriel reforça que o consumidor também precisa pesquisar antes da compra. Alguns modelos apresentam problemas crônicos e continuam sendo vendidos normalmente.
“É fundamental pesquisar sobre o modelo, buscar informações em fóruns, avaliações e conversar com pessoas do mercado. Mesmo sendo zero quilômetro, estamos falando de uma máquina, e falhas podem acontecer”, explica.
A vantagem do carro novo está na garantia. Caso surja algum defeito dentro das regras da montadora, a concessionária e a fabricante são obrigadas a prestar o atendimento necessário, o que traz mais segurança ao consumidor.