O número de incêndios em áreas de vegetação disparou no Sul do Espírito Santo em 2026. Entre janeiro e julho, foram registradas 568 ocorrências na região, segundo o Corpo de Bombeiros. No mesmo período de 2025, foram contabilizados 166 casos — um aumento de 242%.
Cachoeiro de Itapemirim concentra parte significativa dessas ocorrências. Em diferentes pontos do município, áreas de vegetação foram atingidas pelas chamas e ficaram marcadas pelo cinza e pela destruição.
Além da perda imediata da vegetação, os incêndios provocam impactos ambientais que podem durar décadas. De acordo com o engenheiro ambiental Reinaldo Soares Junior, o tempo de recuperação depende do tipo de área atingida. “Se é um fragmento de vegetação nativa, realmente demora mais tempo. Até chegar ao ponto de regeneração, demoram décadas”, explicou o especialista em entrevista ao repórter Matheus Passos, da TV Gazeta Sul.
Em áreas de vegetação nativa, a recuperação é mais lenta porque o ecossistema é formado por diferentes estágios de desenvolvimento. Já locais com campo ou árvores isoladas tendem a se recuperar mais rapidamente.
Os prejuízos não ficam restritos à vegetação e atingem também a fauna. "Muitos animais morrem queimados, muitos têm que se deslocar para outras regiões, abandonando seu habitat. E, com isso, ao se deslocarem, eles entram em territórios de outros animais, atravessam estradas, são atropelados, e muitos pequenos animais são queimados. A flora, a vegetação, ela sofre significativo impacto porque queima, ela deixa de existir. E, em várias regiões, tem algumas espécies que só existem naquela região. São espécies endêmicas", alertou o diretor-geral do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), Mário Louzada.
Na primeira semana de agosto, em Marataízes, animais, como uma cobra, foram encontrados mortos depois de uma área ser atingida por um incêndio. De acordo com Louzada, os animais que sobrevivem, mas sofrem queimaduras ou outras lesões, podem ser encaminhados para centros de reabilitação de fauna. A recuperação pode levar meses ou até um ano, antes que seja possível reintroduzi-los na natureza.
Para reduzir os impactos, o Iema mantém equipes dedicadas ao monitoramento das 18 unidades de conservação sob responsabilidade do órgão. De acordo com Louzada, brigadistas também atuam na manutenção de aceiros durante o período de menor risco de incêndios. O objetivo é preparar as áreas para a chegada da estação seca.