Uma baleia-franca acompanhada de um filhote foi avistada pelo litoral de Vila Velha nesta terça-feira (11). Os animais marinhos apareceram inicialmente na Praia da Concha, na Barra do Jucu, e, horas depois, foram registrados na Praia de Itaparica. Na última segunda-feira (3), um animal da mesma espécie também foi visto no litoral capixaba.
Segundo o ambientalista Sandro Firmino, coordenador do Projeto Amigos da Jubarte, as aparições são consideradas raras e surpreendentes. Ele explica que os episódios recentes podem estar relacionados à recuperação da população de baleias-francas após a proibição da caça comercial há alguns anos. Com o aumento do número de indivíduos, a espécie estaria voltando a ocupar antigas rotas migratórias.
Atualmente, o local mais comum de encontrá-las é no litoral de Santa Catarina, considerada uma importante área de reprodução e berçário tradicional das baleias-franca. Segundo Sandro, mães jovens ou fêmeas grávidas podem, eventualmente, prolongar a viagem ou se desviar da rota, avançando pelo Atlântico até o Espírito Santo.
A identificação da espécie na Praia da Concha foi realizada por biólogos, entre eles Sandro Firmino. Segundo o ambientalista, algumas características permitem diferenciar a baleia-franca da jubarte. Uma delas é o dorso totalmente liso, sem nadadeira dorsal. O borrifo também tem formato de "V", já que a espécie possui dois espiráculos separados, que lançam ar e vapor em duas direções. Outra característica são as calosidades, áreas de pele espessa e esbranquiçada visíveis na região da cabeça.
Após o avistamento na Barra do Jucu, moradores registraram uma baleia-franca na Praia de Itaparica. Sandro Firmino acredita que se trata da mesma baleia com o seu filhote, pois ela se encontra na janela de tempo esperada na velocidade de nado e deslocamento. A equipe do Projetos Amigos da Jubarte está no local para acompanhar a nova aparição.
O ambientalista explica ainda que a espécie tem hábito de nadar muito perto da praia, às vezes a poucos metros da arrebentação. Por isso, a presença do animal próximo à faixa de areia pode ser confundida com um encalhe, embora esse comportamento seja comum para a espécie.
A recomendação de órgãos ambientais, como o Projeto Amigos da Jubarte, é que embarcações, motos aquáticas ou banhistas não se aproximem intencionalmente. Além disso, é obrigatório manter distância regulamentar para não estressar a mãe ou provocar acidentes, respeitando as leis de proteção aos cetáceos.