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Mercado imobiliário

Moradia flexível é tendência para atender às mudanças no perfil das famílias

A mudança no perfil demográfico das famílias capixabas também está reformulando o desenho das plantas.

Publicado em 11 de Setembro de 2026 às 17:37

Karine Nobre

Publicado em 

11 set 2026 às 17:37
tecnologia e sustentabilidade
Inteligência de mercado, com análise de fatores diversos, é fundamental para desenhar novos projetos Shutterstock

A mudança no perfil demográfico das famílias capixabas também está reformulando o desenho das plantas. Dados populacionais mostram que a população idosa no Espírito Santo cresceu cerca de 70% de 2010 a 2022, atingindo uma expectativa de vida de 79,8 anos. Ao mesmo tempo, crescem as pessoas morando sozinhas, casais sem filhos e profissionais em trabalho flexível.


A resposta do mercado já aparece nos números: o 46º Censo Imobiliário registrou um salto de cerca de 80% no volume de apartamentos de um quarto em construção na Grande Vitória, passando de 1.637 para 2.948 unidades.


Paralelamente, a busca por flexibilidade consolidou o modelo de short stay (locação de curtíssima temporada) e gestão profissional, com boa parte desses novos empreendimentos trazendo, em sua convenção de condomínio, a autorização para locação por temporada. Some-se a isso, o surgimento e a consolidação de empresas locais e de fora do Estado, focadas em mobiliar e gerir esses imóveis.


Apesar do avanço dos compactos, especialistas ressaltam a necessidade de produtos mais amplos para demandas represadas. O consultor imobiliário Juarez Gustavo Soares reforça que diminuir o tamanho não basta. 


“O mercado precisa de projetos com plantas flexíveis, isolamento acústico e acessibilidade. O grande desafio para os próximos anos é atender bem a habitação acessível em áreas centrais, a moradia focada no envelhecimento ativo (senior living) e o mercado profissional de locação”, observa.

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Gargalos e visões de futuro

Para garantir que o fluxo de lançamentos acompanhe o crescimento da demanda nos próximos dez anos, as lideranças setoriais cobram avanços na infraestrutura urbana e na desburocratização. A velocidade no licenciamento ambiental e a uniformização das regras municipais figuram no topo das reivindicações do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-ES) junto às prefeituras e aos órgãos ambientais. 


“Esse é um trabalho que o Sinduscon vem realizando há muito tempo e que, podemos dizer, avançou, mas ainda temos um longo caminho. Entendemos que esse gargalo só será corrigido com parceria. Precisamos seguir juntos do Ministério Público, governo do Estado e municípios capixabas”, acrescenta o presidente do Sinduscon-ES, Douglas Vaz.


No campo da mobilidade urbana, gargalos metropolitanos exigem intervenções de grande porte. “A Terceira Ponte já opera no limite e a população de Vila Velha não para de crescer. Uma nova ligação via túnel entre Vitória e Vila Velha tornou-se uma pauta estruturante e imprescindível para o futuro da região metropolitana”, sugere o diretor de Economia e Estatística do Sinduscon-ES,Eduardo Borges.

Inteligência de mercado

Para o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), Alexandre Schubert, a inteligência de mercado é um elemento fundamental para desenhar novos projetos.


 “Um projeto tem um período de maturação longo, são quatro anos até ele ser lançado e o consumidor já é completamente diferente. Para isso, um elemento fundamental é a contratação de antropólogos, sociólogos e até psicólogos para pensar o futuro”, diz.


Ainda, segundo ele, a inteligência artificial (IA) pode contribuir na análise de informações coletadas com o objetivo de desenhar os novos rumos da sociedade e do tecido urbano.

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