O imóvel pode estar bonito nas fotos, bem localizado e pronto para reserva. Mas para quem pretende alugar por temporada, os cuidados não terminam quando o anúncio vai ao ar. Fechaduras, equipamentos, móveis, utensílios e até as regras do condomínio precisam ser conferidos para evitar problemas durante a estadia.
A locação por temporada movimentou R$ 113,2 bilhões na economia brasileira em 2025, segundo estudo da FGV Projetos elaborado a pedido do Airbnb e divulgado em setembro de 2026. O levantamento aponta ainda uma contribuição de R$ 62,8 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) e a sustentação de 703,9 mil postos de trabalho no país.
Com a chegada das férias, feriados e festas de fim de ano, o aumento da procura pode representar uma oportunidade para os proprietários. Mas transformar o imóvel em uma hospedagem exige mais do que deixá-lo disponível para reservas.
Em imóveis administrados profissionalmente, sistemas de acesso eletrônico têm sido cada vez mais utilizados. Segundo Charles Bitencourt, vice-presidente de Imobiliárias da Associação das empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), há locais em que o hóspede recebe um código de acesso com período determinado de duração.
Por isso, o funcionamento da fechadura precisa ser conferido antes da chegada. Também é importante que o visitante receba instruções claras sobre como entrar e sair do imóvel.
A atenção vale também para portões, cadeados e demais mecanismos de acesso. Uma dificuldade que parece pequena para quem conhece a casa pode se transformar em um problema para quem chega pela primeira vez.
Outro cuidado é verificar o imóvel entre uma hospedagem e outra. De acordo com Bitencourt, a vistoria ajuda a identificar danos e problemas que podem ter ocorrido durante a estadia.
Entre os itens que merecem atenção estão equipamentos eletrônicos, objetos frágeis e outros bens que podem apresentar problemas com o uso.
Quando uma avaria é identificada, o registro do dano permite que a situação seja encaminhada à imobiliária ou ao responsável pela administração do imóvel e, quando for o caso, sejam tomadas providências para reparação.
É importante fazer a vistoria principalmente em eletrônicos, coisas que dão bastante problema ou objetos frágeis.
Charles Bitencourt Vice-presidente de Imobiliárias da Ademi-ES.
Em imóveis destinados à locação por temporada, sinais de desgaste nem sempre são perceptíveis imediatamente. Por isso, manter um histórico do estado dos objetos e equipamentos ajuda a acompanhar a conservação do patrimônio.
Outro ponto que pode passar despercebido por quem decide começar a alugar um apartamento ou casa por temporada são as regras do condomínio.
Antes de anunciar o imóvel, o proprietário deve verificar quais são as normas aplicáveis à entrada e saída de hóspedes, circulação pelas áreas comuns, cadastro de visitantes e utilização das estruturas compartilhadas.
Segundo Bitencourt, essas regras precisam ser conhecidas e deixadas claras para quem ficará no imóvel.
A manutenção também passa pela aparência e pelas condições de uso do imóvel. Piscinas e jardins, por exemplo, precisam ser cuidados antes da chegada dos hóspedes. Dentro da casa, sofás, tapetes e cortinas também exigem higienização periódica, especialmente em imóveis que aceitam animais.
José Roberto Campanelli, diretor da rede de intermediação de serviços domésticos Mary Help, orienta que esses cuidados sejam programados entre as estadias para evitar que a manutenção seja deixada para a última hora.
A frequência da limpeza também deve considerar o número de hóspedes e a rotatividade do imóvel.
Uma cozinha pode estar organizada e ainda assim não atender às necessidades de quem vai passar alguns dias no imóvel.
Pratos, copos, talheres, panelas e utensílios básicos devem estar disponíveis em quantidade compatível com a capacidade da hospedagem. O mesmo vale para roupas de cama e banho.
Rogério Zorzeto, CEO da rede de varejo Prioridade 10, especializada em utilidades domésticas, recomenda avaliar os objetos de acordo com o uso real durante a estadia, evitando tanto a falta de itens essenciais quanto o excesso de objetos que ocupem espaço desnecessariamente.
Os cuidados não terminam quando não há reserva. Para preservar o valor do patrimônio, o imóvel precisa continuar sendo acompanhado mesmo nos períodos de desocupação.
A administração também precisa considerar o período entre reservas para programar reparos e serviços necessários.
Antes de começar a alta temporada, uma maneira de encontrar problemas é entrar no imóvel como se fosse a primeira vez.
Abra a porta, teste a fechadura, acenda as luzes, use as torneiras, confira o chuveiro, prepare uma refeição, abra os armários, tente guardar uma mala e verifique os equipamentos.
O proprietário já conhece os pequenos defeitos da casa e sabe, por exemplo, qual porta precisa de mais força para fechar ou qual procedimento deve ser feito para abrir determinada fechadura. Para o hóspede, porém, essas informações não são óbvias.
A vistoria, portanto, não serve apenas para deixar o imóvel bonito para as fotos. Ela ajuda a garantir que aquilo que foi prometido no anúncio também funcione quando o hóspede chegar e a preservar o imóvel depois que ele for embora.
*Este conteúdo foi produzido por Emanoele Gobbi, residente do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação da editora de Imóveis A Gazeta Karine Nobre.