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Arquitetos dão dicas de adaptações necessárias para viver em imóveis pequenos

Arquitetos dão dicas de adaptações necessárias para viver em imóveis pequenos

Com unidades cada vez menores ganhando espaço, moradores precisam adaptar a rotina, apostar em organização e contar com projetos inteligentes para transformar poucos metros quadrados em conforto e funcionalidade

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Yasmin Spiegel

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Publicado em 20 de março de 2026 às 08:00

 - Atualizado em 21 minutos

Neste projeto assinado pelas arquitetas Natália de Souza e Jociane Mendes, o morador pediu que esse studio de 35m² fosse desenvolvido por inteiro, dos revestimentos ao mobiliário, passando pela decoração e o enxoval
Neste projeto assinado pelas arquitetas Natália de Souza e Jociane Mendes, o morador pediu que studio de 35m² fosse desenvolvido por inteiro, dos revestimentos ao mobiliário, passando pela decoração e o enxoval Crédito: Kelly Queiroz

Os imóveis compactos deixaram de ser exceção para se tornar uma realidade cada vez mais presente no mercado imobiliário, com os studios e apartamentos com áreas privativas menores sendo cada vez mais procurados em regiões urbanas com boa oferta de serviços, mobilidade e lazer.

Afinal, studios e apartamentos com metragem reduzida acompanham as mudanças no estilo de vida da população. Jovens que conquistam independência financeira, pessoas que optam por morar sozinhas e casais sem filhos estão entre os perfis que mais procuram imóveis menores.

Segundo o arquiteto José Daher Filho, esse movimento reflete a forma como a rotina nas cidades se transformou. “Com rotinas cada vez mais dinâmicas, divididas entre trabalho, compromissos, academia e vida social, passar menos tempo em deslocamentos e mais tempo vivendo a cidade tornou-se essencial. Para esse público, morar bem deixou de ser apenas uma questão de conforto e passou a ser sinônimo de qualidade de vida”, observa.

Projeto de José Daher para um espaço pequeno
Projeto de José Daher para um espaço pequeno Crédito: Projeto: José Daher

Para aproveitar todo o espaço disponível e transformar a casa num verdadeiro lar, confira a seguir algumas dicas de arquitetos que garantem: é possível viver bem com pouco.

“A proposta nesses projetos deve ser aproveitar cada metro quadrado com inteligência, por meio de móveis planejados e escolhas bem definidas que equilibrem estética, funcionalidade e custo-benefício”, reforça Daher.

1. Integração como estratégia de projeto

Projeto assinado por Augusto Pacheco para um espaço pequeno
Projeto assinado por Augusto Pacheco desenvolvido para um cliente investidor Crédito: Projeto: Augusto Pacheco

Nos studios, a integração dos ambientes é uma das principais características do projeto. Sem muitas divisões físicas, o desafio da arquitetura passa a ser organizar funções diferentes dentro de um mesmo espaço, garantindo conforto e fluidez na circulação.

Em um projeto desenvolvido para um cliente investidor, o arquiteto Augusto Pacheco apostou nessa lógica para criar um ambiente funcional, com quarto, cozinha, banheiro e área de relaxamento integrados.

“A integração é uma das grandes forças desse tipo de imóvel. Ao eliminar barreiras físicas desnecessárias, o projeto ganha amplitude, iluminação e sensação de conforto”, explica.

Uma das soluções encontradas foi aproveitar a área da varanda para ampliar a cozinha, criando mais espaço para preparo de alimentos e armazenamento, além de favorecer a ventilação natural e a convivência com convidados.

Augusto Pacheco
Área da varanda foi aproveitada para ampliar a cozinha Crédito: Projeto: Augusto Pacheco

A mesa instalada nesse ambiente também ganhou múltiplas funções: além de servir para refeições, pode ser utilizada como apoio para trabalho, momentos de televisão ou relaxamento. Em imóveis compactos, soluções multifuncionais são fundamentais para garantir melhor aproveitamento da área disponível.

2. Entender a diferença entre studio e apartamento

Embora ambos façam parte do universo das moradias compactas, studios e apartamentos apresentam diferenças importantes na organização dos ambientes e entender isso é essencial na hora de elaborar um projeto.

De acordo com a arquiteta Natália de Souza, diretora da ResiliArt Arquitetura, a principal distinção está na planta. Enquanto os apartamentos mantêm a divisão tradicional entre quarto, sala e cozinha, os studios têm praticamente todos os ambientes integrados, com exceção do banheiro.

“Geralmente o studio é mais vantajoso financeiramente e com uma planta mais otimizada”, explica.

Essa configuração exige atenção maior à organização e ao planejamento do espaço. Como o ambiente reúne diversas funções no mesmo local, qualquer desordem se torna mais evidente e pode interferir diretamente no conforto do morador. “Cheiros de comida e bagunça visual, por exemplo, podem atrapalhar até na hora de dormir”, alerta.

3. Mudança de mentalidade

Para a fluidez entre os ambientes, uma marcenaria bem planejada e mudança de mentalidade são essenciais
Para a fluidez entre os ambientes, uma marcenaria bem planejada e mudança de mentalidade são essenciais Crédito: Kelly Queiroz

Viver em poucos metros quadrados também costuma exigir uma mudança no estilo de vida. Para a arquiteta Gabrielle Ravanelli, que integra a equipe da ResiliArt Arquitetura, o minimalismo se torna praticamente indispensável nesse tipo de moradia.

A lógica é simples: quanto menos objetos acumulados, maior a sensação de espaço e organização. Manter apenas o essencial facilita a rotina e contribui para ambientes visualmente mais leves.

Além disso, móveis multifuncionais ganham protagonismo. Sofás-cama, mesas retráteis, marcenaria planejada e soluções criativas ajudam a otimizar a área disponível sem comprometer a circulação.

“É preciso encontrar um equilíbrio entre aproveitar o máximo possível, mas sem exagerar na quantidade de móveis. Caso contrário, o apartamento perde funcionalidade”, destaca.

4. Organização como regra

Como em imóveis compactos, cada detalhe faz diferença e soluções de armazenamento são essenciais para manter o espaço organizado. Armários planejados costumam ser projetados com medidas específicas para evitar a sensação de sufocamento visual e melhorar a circulação. Em alguns casos, áreas como varandas também podem ser incorporadas ao projeto para ampliar o armazenamento.

Natália de Souza explica que o planejamento do mobiliário precisa considerar a rotina do morador: “Sempre avaliamos os hábitos como o fato de trabalhar no imóvel, cozinhar ou a pretensão de passar mais ou menos tempo nele. Essas questões impactam diretamente no projeto”, ressalta.

Na cozinha, por exemplo, itens básicos e bem organizados ajudam a manter o ambiente funcional. Gaveteiros com divisórias, eletrodomésticos compactos e utensílios organizados por nichos são algumas das soluções mais utilizadas.

“Panelas e restos de comida não podem ficar sobre a bancada, que pode ser aberta para os lados permitindo mais possibilidades. Isso interfere diretamente na qualidade de vida no studio”, alerta a arquiteta Jociane Mendes.

5. Estratégias para ampliar a sensação de espaço

Neste studio de 21m² a arquiteta Natália de Souza aposta na luz natural que adentra o fechamento de vidro na varanda
Neste studio de 21m² a arquiteta Natália de Souza aposta na luz natural que adentra o fechamento de vidro na varanda Crédito: Kelly Queiroz

Mesmo em áreas reduzidas, é possível criar ambientes aconchegantes e visualmente amplos. A chave está em escolhas estratégicas de decoração, já que cores neutras, iluminação bem planejada, poucos objetos decorativos e o uso pontual de espelhos ajudam a ampliar a percepção de espaço.

“Espelhos em locais pontuais, poucos objetos decorativos e quadros cooperam no intuito de promover amplitude visual. Um bom projeto é indispensável para deixar o imóvel aconchegante”, afirma Natália.

Organizadores como cestos, nichos e divisórias internas em gavetas também são aliados importantes para evitar acúmulo de objetos e manter o ambiente funcional.

6. Vai morar ou investir?

Os projetos de studios também variam de acordo com o objetivo do proprietário. Quando o imóvel é destinado à moradia fixa, o planejamento costuma priorizar mais áreas de armazenamento e eletrodomésticos maiores, adequados à rotina diária.

Já nos imóveis voltados para locação de curta temporada, a proposta tende a ser mais simplificada. Menos armários e equipamentos compactos podem atender bem às necessidades dos hóspedes que passam pouco tempo no local.

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