O acesso ao crédito imobiliário é, definitivamente, um dos principais fatores para quem deseja conquistar a casa própria no Brasil. Dados da pesquisa Moradia do Amanhã – Compra de Imóvel, realizada pelo DataZAP, fonte de inteligência imobiliária do Grupo OLX, revelam que seis em cada dez entrevistados aumentaram sua intenção de compra devido ao novo modelo de financiamento imobiliário.
Válido desde 2025, de forma gradual, o teto do financiamento com recursos do SFH Sistema Financeiro Habitacional), passa de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, com juros limitados a 12% ao ano e financiamento da Caixa Econômica Federal passa de até 70% para até 80% do valor do imóvel. A implantação plena desse novo formato está prevista para 2027.
Realizada com 673 usuários dos portais OLX, ZAP Imóveis e Viva Real, a pesquisa reforça que a decisão de compra é altamente sensível aos fatores macroeconômicos: 68% dos entrevistados apontam as taxas de juros do financiamento como o fator de maior interferência no processo, seguidas pelas regras de concessão de crédito (66%) e pela variação da taxa Selic (64%). Os dados ganham ainda mais relevância quando se observa que 50% dos entrevistados consideram o financiamento imobiliário a principal forma de pagamento para a aquisição.
A pesquisa apresenta uma radiografia dos desejos, das necessidades e das condições de acesso à moradia de quem pretende comprar ou comprou um imóvel no Brasil em 2026. Segundo Coriolano, os resultados ajudam a compreender a busca por um imóvel de forma mais completa, considerando tanto as características desejadas quanto as condições necessárias para viabilizar a compra.
A conquista da casa própria permanece como principal motivação para a aquisição de imóveis (75%), superando o investimento (10%) e a compra de uma segunda moradia (9%).
Ao olhar para o futuro das cidades, os bairros planejados lideram o interesse entre os novos conceitos de moradia, com 65% das menções. Já o modelo de senior living, voltado à terceira idade, é considerado uma opção de compra por 32% dos respondentes, enquanto outros 43% afirmam que talvez avaliem essa modalidade.
Na hora de fazer as contas, o valor mediano dos imóveis procurados é de R$ 238.690,09. Cerca de quatro em cada dez entrevistados buscam opções de até R$ 199.999 (39%), enquanto 43% procuram imóveis entre R$ 200 mil e R$ 499.999. Na busca por mais espaço dentro do orçamento, os imóveis usados dominam a preferência (62%), enquanto apenas 11% procuram exclusivamente lançamentos ou imóveis novos.
Quanto ao formato, as construções horizontais lideram a preferência dos compradores (53%), e a casa de rua desponta como a tipologia mais citada (38%), à frente dos apartamentos padrão (18%). O imóvel médio ideal conta com cerca de 78 m², dois dormitórios, uma suíte, dois banheiros e uma vaga de garagem.
Dentro de casa, o bem-estar no dia a dia orienta as escolhas: ambientes arejados são valorizados por 74% dos entrevistados, seguidos pela boa divisão interna (67%) e pela varanda (60%). Entre os espaços de lazer, o quintal ou garden lidera a preferência, com 49%.
Segundo o gerente de Dados do Grupo OLX, Coriolano Lacerda, o imóvel ideal precisa funcionar na vida real, caber no orçamento e atender à rotina de quem vai morar nele. Ambientes arejados, boa distribuição interna e espaços abertos aparecem entre os atributos mais valorizados pelos entrevistados.
O entorno também passou a ter um papel determinante no planejamento das famílias. Morar em áreas com menor risco de enchentes ou alagamentos é considerado muito importante por 84% dos entrevistados, superando exigências tradicionais, como o fácil acesso ao transporte público (54%) e a presença de áreas verdes na região (51%).
Dentro de casa, as soluções sustentáveis acompanham essa tendência. A bioarquitetura, com foco na iluminação e na ventilação naturais, é considerada essencial por 49% dos entrevistados, seguida pelos reservatórios para captação de água da chuva (48%) e pelos sistemas de energia renovável (47%).