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Caso de Cachoeiro de Itapemirim

Quanto tempo podemos ficar sem água e sem comida? Médico explica

Tudo vai depender da idade da pessoa, da condição física e também do clima. Questão foi levantada após jovem de Cachoeiro de Itapemirim ser encontrada 36 horas após cair em valeta
Guilherme Sillva

Publicado em 29 de Maio de 2023 às 17:53

Desaparecida desde sexta-feira (26), Maria Cristina Simões Ferreira e Penha, de 22 anos, foi localizada neste domingo (28).
Maria Cristina Simões Ferreira e Penha ficou 36 horas dentro de um buraco Crédito: Corpo de Bombeiros e Redes Sociais
O caso de Maria Cristina Simões Ferreira e Penha, de 22 anos, que caiu dentro de uma valeta de 60 centímetros de diâmetro, no bairro Gilberto Machado, em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, e foi encontrada após 36 horas, tomou conta das redes sociais nos últimos dias. A jovem foi localizada após um vizinho ouvir pedidos de socorro. Ela estava consciente e com ferimentos leves após um trabalho de resgate de cerca de 2 horas.
Com toda a repercussão, uma questão foi levantada: quanto tempo o ser humano é capaz de sobreviver sem água e sem comida? O nefrologista Vinícius Bortoloti Peterle, da Rede Meridional, diz que, em média, o ser humano é capaz ficar sem água e sem comida de dois a quatro dias.
O corpo humano não consegue ficar mais do que 15 minutos sem oxigênio, de dois a quatro dias sem água, e de 40 a 60 dias sem alimentos
O médico conta que o tempo de sobrevivência vai depender da idade da pessoa, da condição física e também do clima. "Crianças e pessoas mais idosas são mais sensíveis a menor oferta de água, de alimento e de oxigênio. O clima mais quente aumenta a transpiração e a desidratação. Já as pessoas com o adequado treinamento físico podem suportar períodos mais extremos. O fato de a pessoa ficar 'parada' dentro de algum lugar diminui as perdas metabólicas", diz Vinícius Bortoloti Peterle.
Os efeitos da privação de água e comida já começam a ser sentidos nas primeiras horas: incialmente, com sensação de fraqueza,  ansiedade e irritabilidade; depois vem o sentimento de raiva e a sensação de boca seca. "Pode ocorrer desmaio, que pode evoluir com sonolência e torpor. Pode ainda haver crise convulsiva, a pessoa entrar em coma e acabar falecendo", diz o nefrologista. 
"A água compõe 60% do peso corporal e participa de todo o metabolismo que nos mantêm vivos. Sem água, o metabolismo vai parando até chegar no estado de total inviabilidade de morte"
Já em relação a ausência de comida, as reservas energéticas do corpo – como glicose, gordura e massa muscular – garantem sobrevida maior. 
No caso da jovem encontrada num buraco após ficar 36 horas desaparecida em Cachoeiro de Itapemirim, Vinícius Bortoloti Peterle explica que nas primeiras horas e dias deve ocorrer o suporte de medicina intensiva, para evitar ou corrigir a hipotermia, o estado de hidratação e os eventuais distúrbios hidroeletrolíticos.
"Também buscar se há lesões como fraturas, traumatismo craniano, e hemorragias. Ao longo da primeira semana, a atenção deve ser dada à recuperação nutricional, evitando a síndrome de realimentação (o intestino e o corpo precisam ser readaptados a receber alimentação convencional), tratar infecções e complicações como a insuficiência renal", ressalta o médico. Nas semanas e meses seguintes, deve-se seguir a reabilitação física com fisioterapia e nutrição, conforme as lesões e as sequelas físicas.

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